Acervo/Estadão
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Concessionárias de aeroportos pedem mais prazo para pagar dívidas

Anac vai analisar o pedido da associação das concessionárias, que aponta um saldo devedor de R$ 2,3 bilhões neste ano

André Borges, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2016 | 09h17

BRASÍLIA - A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que vai analisar um pedido de prorrogação de pagamentos apresentado pelas atuais concessionárias de aeroportos. O pleito encaminhado pela Associação Nacional das Empresas Administradoras de Aeroportos (Aneaa) justifica que a necessidade de adiamento de parcelas das concessionárias é um reflexo “de significativas alterações das condições macroeconômicas e de outros fatores considerados imprevisíveis”.

Nos cálculos apresentados pela associação, as turbulências econômicas resultaram em um saldo devedor de R$ 2,3 bilhões pelas concessionárias neste ano. “A solicitação da Aneaa foi apresentada à Anac na última sexta-feira, e se encontra em fase inicial de análise na agência, razão pela qual não há, no momento, nenhuma outra informação disponível”, declarou a Anac, por meio de nota.

O pedido, conforme informação divulgada ontem pelo jornal Folha de S.Paulo, foi feito em nome das concessionárias que estão à frente dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos, Brasília, Confins, Galeão e Natal.

Desde o ano passado, boa parte das empresas que lideram as concessões vive pesadelos financeiros, principalmente por conta da crise que derrubou as grandes empreiteiras nacionais e dos reflexos da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

As concessionárias que administram Viracopos, Brasília e São Gonçalo do Amarante (RN) deixaram de pagar, em setembro do ano passado, alguns de seus fornecedores e acumulam pendências comerciais ou bancárias, dívidas vencidas e títulos protestados pelos credores, conforme reportagem publicada pelo Estado.

Outorgas. A Aneaa foi criada em 2013, justamente a partir das primeiras concessões realizadas pelo governo. Há preocupação com a saúde financeira das concessionárias, por conta dos compromissos de investimentos e outorgas que essas empresas já assumiram quando assinaram contratos para ficar 30 anos à frente dos principais terminais do País. 

O conjunto das seis concessionárias feitas até agora prevê que o pagamento total de outorgas ao poder público chegue a um total de R$ 43,5 bilhões. Paralelamente, essas empresas precisam investir R$ 28,5 bilhões na modernização e na reforma dos aeroportos existentes. Nos últimos meses, foi intensa a movimentação de sócios em cada uma dessas empresas. 

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