Concessionárias já têm fila de espera

Espera pode chegar a três meses em alguns modelos mais procurados pelo consumidor, por causa da demanda acima do previsto pelas montadoras

MARCELO REHDER, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h07

A um mês do fim do prazo de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros, alguns modelos mais procurados estão em falta nas revendas. O consumidor terá de esperar até 90 dias para receber carros como o compacto March 1.0, da Nissan, e o Grand Siena 1.6, da Fiat.

As montadoras reduziram a produção em abril e maio, para desovar estoques recordes, suficiente para 43 dias de vendas. Voltaram a reforçar as linhas a partir de junho, com aumento de horas extras e contratação de novos funcionários. Mesmo assim, ainda não foi o suficiente para resolver o descompasso entre a oferta e a demanda por modelos de maior saída.

Neste mês, até quinta-feira, foram emplacados 299 mil automóveis e comerciais leves no Brasil, o que dá uma média diária de 16.730 unidades - 18% mais do que em igual período de 2011. Na comparação com o mês passado, há uma queda de 6,3%. Em junho, primeiro mês completo de redução do IPI, as vendas totalizaram 340,6 mil carros de passeio e utilitários. Foi o melhor resultado mensal do ano e o segundo melhor da história da indústria automobilística no País.

A redução do IPI (o governo zerou a alíquota do imposto para modelos 1.0 e cortou pela metade a de carros até 2.0), a queda nas taxas de juros e o desbloqueio do crédito levaram os consumidores de volta às concessionárias. Em alguns casos, mais que o esperado.

Em falta. Nas concessionárias Fiat, por exemplo, os carros mais procurados são o Siena e o Palio. Há espera de um a dois meses para algumas versões. No caso específico do Grand Siena 1.6, a espera é maior, de três meses. Não por acaso, a Fiat anunciou, na semana passada, a contratação de 600 funcionários para ampliar a produção da sua fábrica em Betim (MG).

Nas revendas da Nissan, estão em falta o seu campeão de vendas, o March, e o sedã Versa, ambos fabricados no México. No caso do March, os vendedores informam que não há nenhuma unidade do compacto na versão 1.0. A previsão de entrega é de, no mínimo, três meses.

Carros de outras marcas importados do México, como o Jetta, da Volkswagen, e o Fiat 500, também estão em falta. De acordo com a Fiat, a escassez é provocada pela nova regra que limita a importação do México. Para proteger as montadoras instaladas no País, a partir de março foi estipulada uma cota de veículos vindos do México, isentos do Imposto de Importação desde 2002.

Para a Nissan, no entanto, a principal restrição às exportações do México para o Brasil é a limitação da fábrica da própria montadora japonesa naquele país em atender o aumento da demanda brasileira. Para se ter uma ideia do tamanho do problema, em maio, primeiro mês de IPI reduzido, a Nissan Brasil vendeu 5 mil carros que viriam do México, mas o carregamento que chegou continha apenas 4 mil unidades, causando um descompasso que vem se ampliando mês a mês.

Para complicar a situação da montadora, cuja estratégia comercial é fortemente baseada nos carros que traz do México, os fiscais da Receita Federal, em campanha salarial, iniciaram movimento de operação padrão nas aduanas de todo o País, o que tem provocado atrasos na liberação das cargas.

Segundo fontes na Nissan, as restrições do acordo automobilístico entre Brasil e México não vão impedir a montadora de prosseguir no planejamento que prevê a ampliação de participação no mercado, dos atuais 3,5% para 5% até o fim de 2014. Mesmo considerando que, com o estouro da cota, incorrerá em 35% de Imposto de Importação e alta de 30 pontos porcentuais no IPI.

Representantes das montadoras e das distribuidoras tentam convencer o governo a prorrogar a desoneração do IPI dos carros, que se encerra no dia 31 de agosto. O governo condiciona a extensão do benefício a um compromisso de que o quadro de funcionários não sofrerá redução, medida que vem sendo cogitada pela General Motors.

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