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Concessionárias planejam dobrar total de investimentos neste ano

Infraestrutura. Duas das principais donas de concessões no País, CCR e Arteris devem investir R$ 6 bilhões em 2014 em novos projetos, na manutenção de rodovias e na diminuição do atraso de obras; EcoRodovias e Triunfo ainda não divulgaram os planos

LUCIANA COLLET , O Estado de S.Paulo

15 de março de 2014 | 02h14

Juntas, duas das principais empresas de concessões de transportes do País devem investir só neste ano mais de R$ 6 bilhões. O volume representa mais do que o dobro do aplicado pelas mesmas companhias - CCR e Arteris - ao longo de 2013 e dá suporte à previsão do governo federal de impulsionar o setor de infraestrutura neste ano.

A CCR investirá R$ 4,2 bilhões e a Arteris, R$ 1,8 bilhão - valor recorde para a companhia. Outros grupos de concessões de infraestrutura, como EcoRodovias e Triunfo, ainda não divulgaram seus planos de investimentos. "Mas a tendência é de que haja mesmo um pico neste ano e no próximo", diz o professor Paulo Resende, coordenador do núcleo de infraestrutura e logística da Fundação Dom Cabral. "As novas concessões explicam parte desses recursos, mas também é o momento de fazer melhorias em concessões antigas." Esse é o caso da CCR, por exemplo.

Cerca de R$ 1,8 bilhão será aplicado em obras de manutenção das rodovias administradas. A maior parcela irá para a recém-criada MS Via, concessionária da BR-163/MS, rodovia leiloada no ano passado pelo governo federal e cujo contrato de concessão foi assinado na quarta-feira passada.

Grande parte dos investimentos da CCR vai para obras de mobilidade, com destaque para projetos conquistados no ano passado, como o Metrô da Bahia, que receberá R$ 1,83 bilhão, e o VLT Carioca, no qual a companhia participa com 24,44% e que vai alocar R$ 117,9 milhões.

Nesses casos, os poderes concedentes contribuirão com parte dos investimentos. Mas, segundo a coordenadora de relações com investidores da CCR, Flávia Godoy, haverá um descasamento dos repasses e a companhia desembolsará um valor maior este ano. A partir de 2015, os repasses serão maiores.

Novos investimentos. O valor que será aplicado pela CCR neste ano pode ser ainda maior, já que ainda não está incluído nos R$ 4,2 bilhões o montante que será investido no Aeroporto Tancredo Neves/Confins. A concessão foi conquistada em novembro de 2013, mas o contrato não foi assinado. A previsão é de que isso ocorra no fim deste mês e, só então, a empresa detalhará o investimento.

A Arteris, que possui nove concessões de rodovias, aplicará R$ 1,8 bilhão. O investimento recorde da empresa é resultado de um conjunto de fatores. Embora não tenha ganhado novas concessões, a Arteris tem uma série de obras atrasadas, que precisam ser aceleradas. "Além disso, ela acabou de conseguir um financiamento do BNDES e um reajuste no preço dos pedágios", lembra Resende.

Boa parte dos recursos da Arteris será destinado a estradas federais, que estavam previstas nos contratos de concessão assinados em 2008. Muitas dessas obras já deveriam estar prontas, mas sofreram inúmeros atrasos - entre elas, a de duplicação da Régis Bittencourt, no trecho da Serra do Cafezal.

No ano passado, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reforçou o acompanhamento das obras previstas para as concessões de rodovias federais concedidas na segunda etapa de concessões e, após observar atrasos na execução das obras obrigatórias, acertou com as concessionárias um plano de ação e um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para cada empresa. O TAC obriga as companhias a executar a integralidade das obras descritas no plano. A Arteris teve cinco de suas rodovias incluídas no acordo.

Conforme a ANTT, após a assinatura dos TACs, as obras foram aceleradas. Durante teleconferência com analistas, o diretor de relações com investidores da Arteris, Alessandro Levy, confirmou que a companhia vem cumprindo o plano "em velocidade superior à esperada". A Arteris investirá R$ 6,8 bilhões em suas concessões de rodovias até o fim dos contratos e negocia com os poderes concedentes algumas obras adicionais. Segundo Levy, a companhia deve manter investimentos superiores a R$ 1 bilhão em 2015 e, se conseguir os aditivos contratuais, pode investir ainda mais no ano que vem.

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