Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Concessionárias podem se beneficiar com o pacote de concessões

Parte dos investidores esperava um anúncio mais firme ontem, mas o governo apenas indicou que as negociações em andamento

LUCIANA COLLET, Estadão Conteúdo

14 de junho de 2015 | 17h05

Apesar da decepção do mercado quanto ao anúncio na semana passada do novo pacote de concessões, em especial no que diz respeito ao aditivos contratuais para as atuais concessionárias, analistas de mercado citaram CCR, Rumo e Arteris, além de Santos Brasil e Log-In como as empresas que potencialmente mais podem se beneficiar, possivelmente no curto prazo.

Parte dos investidores esperava um anúncio mais firme de assinatura de aditivos ontem, mas o governo apenas indicou as negociações em andamento, o que executivos das empresas e alguns especialistas consideraram positivo, como uma sinalização mais clara de que o governo efetivamente quer chegar a um acordo e conta com esses investimentos para impulsionar o setor.

Para os profissionais do Bank of America Merrill Lynch, alguns aditivos podem ser assinados ainda no segundo semestre deste ano, enquanto outros devem ficar para 2016. O banco não indicou quais negociações espera que sejam concluídas em 2015, mas destacou a inclusão de obras da concessionária Nova Dutra, da CCR, que exigiriam investimentos de R$ 2,3 bilhões. "Detalhes sobre as compensações ainda faltam neste estágio, mas são esperadas. A compensação seria em extensão de prazo ou aumento da tarifa", comentou a equipe de análise do Bofa.

O próprio presidente da CCR, Renato Vale, disse ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que as discussões estão avançadas, com negociações sobre minuta de aditivo e fluxo de caixa marginal "praticamente concluídas". "A questão agora é partir para decidir isso", afirmou, defendendo que se o aditivo for assinado no próximo trimestre, a CCR Nova Dutra poderia iniciar as obras ainda este ano.

O Credit Suisse estimou que esse aditivo na Nova Dutra poderia adicionar entre R$ 0,25 e R$ 0,30 por ação ao valor presente líquido (NPV, na sigla em inglês) da CCR. E lembrou que atualmente essa concessionária é avaliada em R$ 1,0/ação, o que corresponde a aproximadamente 8% do valor líquido do ativo (NAV, na sigla em inglês) CCR.

A casa também destacou o potencial de aditivos para Arteris e para a Rumo. No caso da Arteris, o governo listou potenciais obras adicionais em quatro de suas concessões federais existentes, somando R$ 5,2 bilhões em investimentos. Considerando uma taxa de retorno marginal entre 7% e 10%, o Credit calculou um NPV potencial adicional de R$ 2,5/ação a R$ 4,5/ação para a companhia, o que corresponde a uma criação de valor de entre 25% e 45%.

Já o Brasil Plural calcula um potencial de criação de valor de R$ 7,3/ação da Arteris, considerando a TIR real desalavancada de 8%. "No entanto, lembramos que a companhia dificilmente poderia investir tal montante de capital sem ver suas taxas de alavancagem subir substancialmente, o que pode requerer injeção de capital", lembraram os analistas Italo Ferrara e Lucas Barbosa.

No caso da Rumo, o Credit lembrou que apesar da queda de quase 7% das ações da concessionária de ferrovias ontem, em meio à decepção com um anúncio mais firme sobre a renovação dos contratos, as negociações com a agência regulatória (ANTT) e com o Tribunal de Contas da União (TCU) estão "muito avançadas", segundo apuraram. A equipe do Brasil Plural calculou que o investimento adicional da Rumo em troca da renovação da concessão, da ordem de R$ 4,6 bilhões, deve adicionar R$ 0,5 por ação, considerando uma taxa interna de retorno real, desalavancada, de 7,9%.

O Brasil Plural também citou Santos Brasil e Log-In como potenciais beneficiárias de aditivos de contrato. A primeira busca a renovação do arrendamento do Tecon Santos, que foi mencionado como um dos projetos previstos, com investimento de R$ 3,16 bilhões. O montante está em linha com o que foi anunciado pela companhia no ano passado e já foi aprovado pela agência reguladora, a Antaq.

"Nenhum detalhe foi dado se a renovação já foi concedida ou não - esperamos um anúncio no curto prazo", comentaram os analistas, que calcularam uma TIR de 6% neste caso, o que não adicionaria valor para as units da Santos Brasil neste momento, tendo em vista o atual cenário operacional do terminal. "No entanto, se o terminal ganhar novos serviços de navegação, e aumentar a eficiência, a importância da renovação cresce exponencialmente", acrescentaram.

No caso da Log-In, os profissionais notaram que a renovação da concessão do Terminal de Vila Velha (TVV) também foi incluída no pacote de investimentos portuários, com investimentos de R$ 148,4 milhões, o mesmo número que a companhia anunciou em dezembro passado. "Se o governo conceder a renovação em troca desses investimentos, calculamos um adicional de R$ 0,5/ação para Log-In ON", disseram, considerando uma TIR de 9,2%.

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