Adriano Machado/ Reuters
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E-Investidor: como a queda do PIB afeta o mercado financeiro

Concessões de crédito para empresas disparam e juros caem, diz BC

Em março, crédito bancário teve a maior expansão mensal desde setembro de 2008

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2020 | 11h11

BRASÍLIA - Em meio aos efeitos da pandemia do novo coronavírus sobre a economia, as concessões de crédito para empresas dispararam em diversas modalidades.

Este movimento foi acompanhado, ainda segundo informações oficiais, por uma queda na taxa média de juros cobradas pelas instituições financeira.

Entretanto, isso não aconteceu em todas as linhas de crédito. No cartão de crédito rotativo das pessoas físicas, a taxa de juros avançou no mês passado.

Dados divulgados nesta terça-feira, 28, pelo Banco Central (BC) mostram que as concessões de crédito via desconto de duplicatas e recebíveis subiram 42,3% em março ante fevereiro, para R$ 44,901 bilhões.

No caso do desconto de cheques, houve alta de 14,0% e, na antecipação de faturas de cartão, ocorreu elevação de 48,6%.

Os dados do BC mostraram ainda que, em março, a concessão de crédito para capital de giro subiu 86,6%. Dentro desta rubrica, o capital de giro com prazo inferior a 365 dias disparou 148,9%, enquanto operações com prazo maior tiveram alta de 63,8%. Já o capital de giro na modalidade teto rotativo avançou 47,0%.

Conforme o Banco Central, no caso da conta garantida para empresas, as concessões avançaram 29,2% em março ante fevereiro. Já o cheque especial para pessoas jurídicas registrou aumento de 5,7% nas concessões no mês passado.

Os dados apresentados nesta terça-feira, 28, pelo BC são influenciados pelos efeitos da pandemia, que colocou em isolamento social boa parte da população, reduzindo a atividade das empresas e elevando o desemprego. Em meio à carência de recursos, as empresas aumentaram a demanda por crédito nos bancos, o que influencia os números de concessões.

Maior expansão do crédito desde 2008

No total, o crédito bancário apresentou um aumento de 2,85% em março, na comparação com fevereiro, para um volume total em mercado de R$ 3,587 trilhões. No mês retrasado, estava em R$ 3,487 trilhões.

Segundo informações do BC, essa foi a maior expansão mensal deste indicador desde setembro de 2008 - quando cresceu 3,68%.

Os números divulgados revelam que o crescimento aconteceu no crédito para as empresas, que registrou alta de 6,4% no mês passado, para R$ 1,5 trilhão, enquanto que o saldo total para as pessoas físicas avançou bem menos: (0,3%), para R$ 2,1 trilhões.

"Em março, ocorreu expansão tanto nas modalidades com influência sazonal (desconto de duplicatas e recebíveis, antecipação de faturas de cartão) quanto nas relacionadas a fluxo de caixa (capital de giro), e nas de comércio exterior (adiantamentos sobre contratos de câmbio, financiamentos a exportações)", informou o BC.

No caso das concessões de crédito, houve uma alta de 28,6% no mês passado - quando elas somaram R$ 396 bilhões. Em fevereiro, o volume de novas operações de crédito concedidas havia somado R$ 308,5 bilhões.

Custo do crédito cai em linha com juros básicos

De acordo com o BC, houve queda nos juros médios das instituições com recursos livres (sem contar BNDES, crédito rural e imobiliário) fevereiro para março.

A taxa média total (pessoa física e jurídica) passou de 34,1% ao ano, em fevereiro, para 33,2% ao ano em março.

Os juros nas operações com pessoas físicas passaram de 46,7% ao ano, em fevereiro, para 46,1% ao ano, em março deste ano.

Já a taxa média cobrada das empresas caiu de 17% ao ano, em fevereiro, para 16,6% ao ano, no mês passado.

A queda dos juros bancários médios, e nas operações com pessoas físicas, acontece em um momento de redução também da taxa básica da economia. Em março, a Selic foi baixada pelo BC para 3,75% ao ano - o menor patamar da história.

De acordo com o BC, os juros bancários caíram mais do que a taxa básica no mês passado. Com isso, o "spread" bancário (diferença entre o que os bancos pagam pelos recursos e o que cobram de seus clientes) médio passou de 28,9 pontos percentuais, em fevereiro, para 27,5 pontos percentuais em março.

Nas operações com pessoas físicas, houve redução de 41,3 pontos em janeiro para 40,1 pontos em fevereiro deste ano. Com isso, mesmo com a redução no mês passado, o "spread" bancário ainda segue em patamar elevado para padrões internacionais.

O "spread" é composto pelo lucro dos bancos, pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios (que são mantidos no Banco Central) e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros.

Taxa do cartão de crédito rotativo sobre para 326,4% ao ano

A redução nas taxas de juros bancárias, entretanto, não foi generalizada no mês passado. Os números do BC mostram que houve elevação na taxa cobrada no cartão de crédito rotativo.

Segundo a instituição, a taxa média dessa modalidade de crédito passou de 322,6% ao ano, em fevereiro, para 326,4% ao ano, em março - o maior valor desde abril de 2018 (328,1%), ou seja, em 22 meses.

O crédito rotativo do cartão de crédito pode ser acionado por quem não pode pagar o valor total da sua fatura na data do vencimento, mas não quer ficar inadimplente.

Para usar o crédito rotativo, o consumidor paga qualquer valor entre o mínimo e total da fatura. O restante é automaticamente financiado e lançado no mês seguinte, com juros.

Essa é uma das linhas de crédito mais caras do mercado e, segundo analistas, deve ser evitada. A recomendação é que os clientes bancários paguem todo o valor da fatura mensalmente.

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