Concessões desvinculam investimento do consumo, diz Ipea

O pacote de concessões em infraestrutura lançado pelo governo na semana passada é um passo fundamental para desvincular o crescimento da taxa de investimento do País do aumento do consumo. A avaliação é do coordenador do Grupo de Análises e Previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Gap-Ipea), Roberto Messenberg.

MARIANA DURÃO, Agencia Estado

23 de agosto de 2012 | 14h09

Na avaliação do economista, os investimentos em infraestrutura com participação do setor privado podem ser o polo alternativo ao consumo para desencadear investimentos. Ele também minimizou o debate sobre privatizações. "O que importa é que o setor público consiga coordenar uma onda de investimentos junto com o setor privado e a taxa de investimento suba sem estar vinculada ao consumo", disse.

Para Messenberg, a sinalização do governo com o pacote é de que o patamar de juros da economia brasileira está caindo de forma permanente e se manterá baixo. A confiança do setor privado nesse processo de queda dos juros, acredita, é fundamental para viabilizar a lucratividade das futuras concessionárias e melhorar o custo de oportunidade dos projetos. "Esse tipo de percepção tem que ser absorvida pelo setor privado e concessionários dos projetos que o governo vai licitar, para que a negociação em torno da tarifa se resolva de forma mais tranquila", disse.

A alta de 5,2% do IPCA no acumulado dos 12 meses encerrados em junho não deve impedir novos cortes da Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom), diz o Ipea. O instituto aponta no Boletim de Conjuntura que o repique resulta do choque de oferta de alimentos, um fator transitório. Para o economista, o modelo de crescimento baseado na expansão do consumo, cujo esgotamento vem sendo debatido, não é capaz de criar a perspectiva de uma economia com taxas elevadas e sustentáveis de crescimento. Isso porque esse padrão não garante a internalização do que chamou de "investimentos portadores do progresso técnico", isto é, capazes de gerar ganhos de produtividade à economia doméstica.

A lógica é que se perpetua a dependência brasileira de itens como commodities, sujeitos às oscilações do mercado internacional. "Basear o crescimento na lógica de que investimento segue o consumo significa preservar essa fragilidade. Com isso, vamos ficar sempre no voo de galinha", disse.

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