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Concessões feitas em 2013 ainda esperam crédito de R$ 17 bi do BNDES

Empresas que venceram os leilões da primeira fase do programa de investimentos do governo Dilma tentam receber os financiamentos prometidos pelo banco; BNDES diz manter a perspectiva de que as liberações saiam até o final deste ano

Murilo Rodrigues Alves, Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2015 | 05h00

BRASÍLIA - As empresas e consórcios que arremataram as concessões da primeira fase do pacote de investimentos lançado pelo governo federal, em 2012, ainda aguardam a liberação de recursos estimados entre R$ 15 bilhões e R$ 17 bilhões do BNDES. Mas o banco, que atualmente é alvo de uma CPI, vem “emperrando” essa liberação, que tem como destinatários algumas empresas envolvidas na Operação Lava Jato.

Essa postura de cautela do banco já provoca preocupações, até mesmo dentro do governo, de que o sucesso da nova etapa do Programa de Investimento em Logística (PIL), anunciada neste ano, esteja comprometido. Essa nova fase prevê investimentos de quase R$ 200 bilhões, sendo R$ 69 bilhões até 2018. Além disso, o comportamento do banco de fomento é visto pela área econômica como mais um obstáculo para retirar a economia do País da recessão. A crítica é, sobretudo, ao excesso de burocracia que paralisou o banco nos últimos meses, principalmente depois que as maiores empreiteiras do País foram envolvidas no escândalo da Lava Jato.

Lançada em 2012, a primeira etapa do PIL teve baixa eficiência. Eram previstos investimentos de R$ 133 bilhões em rodovias e ferrovias. Dos nove trechos de estradas, seis foram leiloados. Dos 12 projetos de ferrovias e cerca de 160 terminais portuários, nenhuma concessão pública foi realizada. Sucesso só nos aeroportos: todos os cinco conseguiram ser repassados à iniciativa privada. As empresas vencedoras dos leilões tinham a garantia de que o grosso do financiamento teria como fonte o BNDES.

Só a Odebrecht TransPort, por exemplo, que venceu os leilões do aeroporto do Galeão (RJ) e da BR-163 (MT), no fim de novembro de 2013, espera a liberação de R$ 5 bilhões do BNDES em operações de longo prazo. Os recursos, diz a empresa, são “indispensáveis” para manter o ritmo das obras e a manutenção de 8 mil empregos.

O diretor-presidente da MGO Rodovias, Helvécio Soares, esteve nesta quarta-feira, 28, no Rio, na sede do BNDES, para tentar fechar a operação de longo prazo da empresa, criada pelo Consórcio Planalto, vitorioso no leilão da BR-050, entre Minas Gerais e Goiás. A companhia pleiteia até 80% de R$ 1,2 bilhão que precisa investir até o 5.º ano da concessão.

O BNDES respondeu, em nota, que sempre trabalhou com a perspectiva de aprovar os empréstimos de longo prazo até o final do segundo semestre deste ano. “Essa perspectiva está mantida”, afirmou. Até o momento, já foram contratados e liberados os empréstimos-ponte de todas as rodovias, com exceção do consórcio da Galvão Engenharia.

A maior preocupação agora é que os entraves que o BNDES está criando para a liberação dos financiamentos da primeira etapa do PIL possam anular o esforço do governo para dar mais atratividade aos novos leilões da segunda etapa.

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