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Concluir Doha será difícil para emergentes, diz especialista

Aumento do desemprego e protecionismo nos EUA e Europa dificultarão conclusão favorável da negociação

Daniela Milanese, da Agência Estado,

06 de outubro de 2009 | 13h55

Concluir a Rodada Doha em condições favoráveis será mais difícil para os países emergentes do que a reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI), acredita Simon Evenett, professor de Comércio Internacional e Desenvolvimento Econômico da Universidade de St. Gallen, na Suíça, e co-diretor do Centro de Pesquisa Política Econômica (CEPR, na sigla em inglês). Em entrevista à Agência Estado, o especialista é categórico: não há chances de encerrar Doha no próximo ano.

 

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Apesar de admitir que os sinais de recuperação econômica abrem caminho para destravar as negociações na área comercial, interrompidas pela crise, ele enumera uma série de desafios. O aumento do desemprego tende a tornar os países mais protecionistas, os europeus não estão dispostos a ceder na área agrícola e a posição dos Estados Unidos ainda não está clara - sem contar a recente disputa dos norte-americanos com a China, que cria mais impedimentos. "Retomar as negociações de Doha é uma coisa, mas concluir é outra, muito mais difícil", afirmou.

 

Para Evenett, é fato que os emergentes se encontram em posição econômica mais forte, o que deve transparecer caso a rodada seja restabelecida. No entanto, não devem ter o mesmo sucesso obtido com a reforma do FMI, aprovada recentemente pelo G-20 na reunião de Pittsburgh (EUA). "Não vejo relação entre as duas coisas, são dinâmicas muito diferentes", afirmou. "A reforma do FMI foi conduzida por ministros de Finanças e em Doha atuam os ministros de Comércio, que não se comportam da mesma forma durante as negociações."

 

O especialista acredita que o Brasil deve continuar desempenhando um papel central e de liderança nas questões comerciais. "A posição do Brasil não tem sido a de obstruir as discussões e acho que essa postura deve continuar."

 

Ele não vê uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, pois avalia que os dois países estão cientes do valor que a relação entre eles representa. No entanto, afirma que os acontecimentos recentes tornam a conclusão de Doha ainda mais difícil. No mês passado, os EUA decidiram impor tarifas de importação para os pneus chineses, causando reação de Pequim.

 

A posição do presidente Barack Obama sobre Doha ainda precisa ser apresentada. "As negociações também dependem do que os Estados Unidos querem e de como os outros países reagirão", disse. "E ainda é preciso ver o que os países estão preparados para oferecer na área agrícola", afirmou, referindo-se ao conhecido ponto de resistência dos europeus.

 

A crise já gerou uma série de medidas protecionistas, apesar de o discurso dos países pedir exatamente o contrário. Estudo do Global Trade Alert, organizado por Evenett e divulgado recentemente, aponta as "promessas quebradas": cerca de 70 medidas protecionistas por trimestre foram introduzidas pelos governos mundo afora desde a cúpula do G-20 realizada em Washington, em novembro do ano passado.

 

Entre os países que mais apelaram para esse caminho, 12 fazem parte do G-20 - Rússia, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Reino Unido, China, Argentina, Japão, Estados Unidos, México e França. "A alta do desemprego pode se traduzir em ainda mais protecionismo nos próximos meses", advertiu.

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