''Conclusão está próxima, mas dependerá dos indicadores''

ENTREVISTA

Fernando Dantas / RIO, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2011 | 00h00

Carlos Kawall, economista do banco J. Safra

Carlos Kawall, economista do banco J. Safra, acha que o comunicado do Copom indica que o fim do ciclo de alta da taxa Selic está próximo, mas dependerá da evolução dos indicadores econômicos.

O que o sr. achou da decisão de ontem?

Foi o que previmos, porque não há grandes novidades. A gente continua vendo os dados do mercado de trabalho muito fortes, os serviços continuaram acelerando no IPCA-15 divulgado ontem, apesar do resultado cheio do índice melhor do que o esperado. E o crédito está crescendo acima do que o Banco Central esperava. Por outro lado, também foi confirmada nossa ideia de que haveria mudança no comunicado.

Qual a importância dessa mudança?

Bem, o BC retirou o "suficientemente prolongado" (referência à duração do ciclo de alta em comunicados anteriores). E usou a expressão "neste momento". Nós analisamos comunicados anteriores, e o uso de "neste momento" sinalizaria que estamos mais próximos do fim do ciclo.

Deve ser a última alta?

Talvez haja analistas que dirão que parou, até porque já tinham esta projeção. Mas penso que o comunicado não resolve essa dúvida. Acho que o BC não quis mesmo resolver, quis ficar com essa carta na mão. Inclusive houve momentos no passado em que, depois de usar expressões - como "neste momento" - que sinalizaram o fim do ciclo, eles fizeram mais um ou dois movimentos, para cima ou para baixo.

Mas qual o significado de tirar "suficientemente prolongado" ?

Acho que deixa os próximos movimentos mais dependentes dos indicadores que irão sendo divulgados. O Banco Central se convenceu de que está chegando o momento de encerrar o ciclo. Isso vai ocorrer na próxima reunião, ou em mais uma, ou até nessa da ontem. Tudo depende do que vai acontecer com os indicadores daqui em diante.

Qual a sua expectativa para a ata da reunião, a ser divulgada na próxima semana?

O comunicado da reunião de ontem foi extremamente lacônico. Ele não fez nenhuma remissão ao cenário de atividade, ou às incertezas da economia mundial, como vinha sendo colocado anteriormente. Eu acho que essa economia de palavras joga muito peso na ata da semana que vem. Temos de transferir um pouco dessa ansiedade em relação à trajetória futura da Selic para a divulgação da ata.

Mas o que é possível dizer dos próximos passos do Copom?

Não tenho nenhum motivo para mudar minha projeção, que é de mais uma alta de 0,25 na reunião de agosto, levando a Selic para 12,75%. Como disse, já imaginava que ele retiraria o "suficientemente prolongado", e nenhuma pista adicional foi dada. Nossa projeção para o IPCA este ano é de 6,3%, e, para 2012, de 5%.

QUEM É

CARLOS KAWALL

ECONOMISTA

É formado em Economia pela FEA-USP, foi secretário do Tesouro Nacional, economista-chefe do Citibank, diretor da BM&FBovespa e hoje é economista do banco J. Safra.

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