Concórdia: inflação de alimentos deve seguir acelerada

A aceleração da inflação dos alimentos está apenas no começo, afirmou o economista-chefe da Concórdia Corretora, Flávio Combat. O impacto da estiagem sobre os preços deste grupo deve durar, pelo menos, até abril, segundo o especialista. "Os alimentos estão refletindo a aceleração percebida no atacado, já que a safra de alguns produtos está sendo prejudicada pela estiagem", afirmou.

IDIANA TOMAZELLI, Agencia Estado

21 de março de 2014 | 13h29

No resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de março, o grupo Alimentação e Bebidas acelerou de 0,52% para 1,11%. O índice geral registrou alta de 0,73%, em linha com o estimado pela corretora. Mas, segundo Combat, a projeção para o IPCA fechado do mês foi revisada de 0,77% para 0,79% após o resultado, tendo em vista as crescentes pressões sobre os alimentos.

Segundo Combat, a repercussão do clima deve ir além dos produtos in natura. Preços de soja e milho, que já vinham subindo, devem influenciar outros itens. "É provável que alguns alimentos reflitam isso um pouco mais à frente, como o preço da carne", observou. "Estamos assistindo ao começo de uma inflação de alimentos mais alta. Ainda não é o topo", acrescentou.

O problema, de acordo com o economista, é que a inflação em 12 meses saltou para 5,90% e deixa menos espaço para acomodar outras altas, como a de tarifas de energia elétrica. Além disso, caso a estiagem persista, ele não descarta que o teto da meta (que é de 6,5%) seja rompido em meados do ano.

"Vemos muitas fontes de pressão em um momento em que o BC desacelerou o ritmo de alta da Selic. A previsão dele não se confirmou. E isso deixa uma preocupação", ressaltou. Para Combat, reduzir o ritmo de ajuste de 0,50 ponto porcentual para 0,25 ponto porcentual na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) foi um erro, mas ele considera pouco provável que o BC volte atrás e acelere o passo no aumento de juros.

"Acredito que ele vá estender o ciclo", disse Combat, que projeta Selic a 11,5% no fim de 2014, embora ele acredite que a autoridade monetária deveria chegar aos 12% "o quanto antes". "O aumento não é mais econômico, mas sim preponderantemente político", disse.

Para este ano, Combat projeta inflação de 6,1% (estimativa revisada na última quarta-feira, de 5,9%). As passagens aéreas, que foram destaque no IPCA-15 de março, devem continuar no topo das influências positivas até o meio do ano, segundo o economista. "Daqui para frente, será um item intermitente de pressão inflacionária. Pode ser que as companhias aproveitem o crescimento abrupto da demanda para fazer repasses (de custo)", disse.

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