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Concorrência limitará alta no preço dos carros, diz Miguel Jorge

Montadoras sinalizam que podem reajustar valor diante do encarecimento do aço e da volta gradativa do IPI

Anne Warth, da Agência Estado,

08 de outubro de 2009 | 16h34

O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse nesta quinta-feira, 8, que a concorrência da indústria automobilística deve limitar os aumentos de preço para os carros. A sinalização de que as empresas do setor devem elevar os preços dos automóveis foi dada nesta última quarta-feira, 7, pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que citou como justificativas o encarecimento do aço, o reajuste salarial dos metalúrgicos e a volta gradativa da cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

 

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"Isso tudo é custo. Mas, se eles aumentarem muito o preço, não vão vender. Hoje, temos uma competição bastante desenfreada na área. Praticamente todas as marcas do mundo estão produzindo hoje no Brasil", afirmou o ministro, durante evento de lançamento do jornal Brasil Econômico, na capital paulista. "Se alguém for louco, insensato, de aumentar muito os preços, o mercado vai reagir. E a reação do mercado será não comprar. Portanto, os aumentos de preço terão de ser feitos dentro de valores que possam ser absorvidos pelo consumidor."

 

Importação de aço

 

O ministro voltou a defender a alíquota zero para a importação de aço. Além de Miguel Jorge, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, também já se mostrou favorável à medida. O motivo é o aumento, entre 10% e 13%, no preço do produto por fabricantes brasileiros no mercado interno. A elevação ocorreu logo após a Câmara de Comércio Exterior (Camex) aumentar as alíquotas de importação de oito tipos de aço para 15%, depois de três anos em que as taxas estiveram zeradas.

 

"Já falei, e continuo querendo zerar as alíquotas de importação do aço", declarou. "Estou me esforçando ao máximo para que isso aconteça." De acordo com o ministro, há dentro do governo uma "estupefação" em relação às empresas do setor. "Há uma perplexidade pelo fato de termos tirado a alíquota zero para a importação de aço e, 40 dias depois, quando os altos-fornos começaram a ser religados e a produção começou a aumentar, veio um aumento de preços", explicou.

 

O ministro voltou a defender a prorrogação da redução das alíquotas de IPI para materiais de construção e produtos de linha branca. O benefício termina no dia 31 de outubro, mas Miguel Jorge disse estar conversando com o Ministério da Fazenda para que as medidas vigorem até 31 de dezembro. Na avaliação dele, a decisão do governo sobre o assunto deveria ser tomada o mais rápido possível, ainda neste mês.

 

De acordo com ele, quando o governo decidiu diminuir as alíquotas de IPI para geladeiras, máquinas de lavar e fogões, a partir de 1.º de abril, os produtos só chegaram mais baratos ao consumidor no fim do mês de maio, pois os estoques das lojas estavam em níveis elevados e as notas fiscais não puderam ser emitidas novamente. É por esse motivo que ele pleiteia a extensão do benefício para esses tipos de produtos, e não para automóveis. Segundo o ministro, no caso dos automóveis, as montadoras lançaram novas notas fiscais eletrônicas para incluir o benefício do IPI nos carros que já estavam nas concessionárias.

 

"Como o benefício termina em 31 de outubro, e já estamos no dia 8, há uma pressão grande dos varejistas para a antecipar as compras por parte dos produtores, e não vai ser possível atender o mercado todo. Então, o certo, o ideal, seria estender um pouco esse prazo", explicou.

 

Questionado sobre se há sensibilidade do Ministério da Fazenda em relação ao tema, ele respondeu: "Acho que deveria ter, a Fazenda tem tido." O ministro citou que cerca de 6 mil empregos diretos e 30 mil indiretos foram poupados pelas indústria de linha branca e 2 milhões de produtos a mais foram vendidos entre abril e agosto.

 

"Portanto, a vantagem que se ganha com o emprego, o recolhimento de INSS e o seguro-desemprego é enorme. Devem ser feitos cálculos sobre os benefícios indiretos que traz uma redução de impostos, e não só olhar as perdas de arrecadação. Temos de deixar de ser econometristas e sermos um pouco mais humanos para avaliar números como esses", avaliou.

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