Concorrência pública é o melhor mercado para camisinhas

O mercado mais promissor para os fabricantes de preservativos no Brasil é o de concorrências públicas, na avaliação da Inal Indústria Nacional de Artefatos de Látex, empresa localizada em São Roque, no interior de São Paulo. Por esse motivo, a fabricante das marcas Olla, Microtex, Lovetex e Falcon investiu para ampliar a produção, embora a empresa também esteja de olho nas exportações para os mercados do Mercosul e Europeu.Um indicativo do tamanho desse mercado foi a compra de 21 milhões de camisinhas da Índia por parte do Ministério da Saúde. "Em grandes licitações, dificilmente uma só empresa nacional consegue suprir toda a demanda do governo", explica o diretor-comercial da Inal, José Araújo.Segundo ele, o governo brasileiro dará preferência às indústrias locais, ainda que estas se abasteçam no mercado externo para fornecer o produto. Isso ocorre se o produto estiver dentro das especificações de qualidade válidas em todo o mundo.CustosO custo de produção dos fabricantes de preservativos vem sendo reduzido pela isenção de impostos como IPI e ICMS. Essa conquista da indústria ocorreu após o produto ser considerado um gênero de primeira necessidade no combate à contaminação pelo vírus HIV, que causa a aids.As campanhas de conscientização do governo e a redução de impostos contribuiu também para o aumento da demanda e para a redução dos preços praticados pelo setor. O teto pago pela unidade nas concorrências públicas, no passado entre R$ 0,30 e R$ 0,40, caiu hoje para R$ 0,10. O próximo passo da indústria é pleitear a isenção do PIS e Cofins, além da extinção do imposto de importação de 5% sobre o insumo básico.Matéria-prima importadaSe por um lado a tributação caiu, as empresas do setor precisam lidar com a pressão de custos da matéria-prima, totalmente importada e, portanto, em alta, devido à desvalorização cambial. As empresas do setor importam látex principalmente do mercado asiático.A Inal, por exemplo, compra 500 toneladas por ano de látex natural bicentrifugado. O insumo vem da Malásia, e custa US$ 572 mil. A maior parte dos equipamentos também é importada e comprada da Coréia do Sul e da Alemanha. "Estamos buscamos também tecnologia japonesa", diz o diretor-comercial da Inal, Jorge Araújo. Segundo ele, o insumo é importado porque o produto nacional não atende às especificações requeridas para o produto.Todo o látex utilizado pela Blowtex também vem do sudeste asiático e seus principais fornecedores se concentram na Malásia e Tailândia, países que, segundo a indústria de preservativos masculinos, oferecem látex de excelente qualidade a preços competitivos.

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