Concorrência reduz margens de lucro

Por muito tempo, Yiwu era explorada somente pelos grandes importadores de São Paulo, que se encarregavam de distribuir as mercadorias às lojas da Rua 25 de Março e aos inúmeros negócios populares espalhados pelo Brasil. Mas, há cerca de três anos, comerciantes de todo o País começaram a se aventurar na cidade chinesa, o que aumentou a concorrência e reduziu as margens de lucro dos tradicionais compradores.

Cláudia Trevisan, YIWU, CHINA, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2010 | 00h00

Zein Sammour é um dos maiores importadores de mercadorias populares do Brasil e faz compras na China desde 1996. Há sete anos ele vai a Yiwu, duas vezes por ano. "Nos últimos três anos, aumentou a concorrência", afirmou Sammour no Hotel Best Western de Yiwu, localizado ao lado do mercado e onde se hospeda a maioria dos negociantes estrangeiros. Em sua importadora, tudo vem da China. De lá, Sammour vende para varejistas de todo o Brasil.

O chileno Herbert Tapia morou durante 24 anos em São Paulo e há três anos se mudou para Yiwu, para dar assessoria a brasileiros na cidade. "Antigamente só vinha gente de São Paulo. Agora, vêm pequenos importadores de todo o Brasil. Qualquer lojinha de R$1,99 faz compras aqui", disse Tapia.

Dono da loja Fort Tudo, de Fortaleza, Marcílio Fonteles costumava comprar seus produtos de importadoras em São Paulo. Há um ano, foi pela primeira vez a Yiwu. Desde então, já voltou quatro vezes. "Aqui é excelente. Tem preço e variedade", ressaltou Fonteles, que compra brinquedos, presentes e utilidades domésticas.

José Carlos Bona, dono do Ponto Certo Atacadista, de Indaial (SC), viajou neste mês pela terceira vez a Yiwu. A primeira foi em 2008, mesmo ano em que a rede de varejo e atacadista Arca Mania, de Fortaleza, começou a importar produtos da cidade. "Yiwu agora é o foco", afirmou Guilherme Pegado, da família dona da empresa.

Segundo Pegado, 40% do que eles vendem é importado da China. Grande parte do restante é de produtos plásticos produzidos em uma fábrica da família.

Outro grande importador de São Paulo, Gerson Góis, da Campineira, vai a Yiwu desde 2002 e, até 2008, costumava visitar a cidade duas vezes por ano. Agora, vai apenas uma. "Está difícil encontrar novidades e, no nosso segmento, tem de ter novidades", observou. Segundo ele, também não é raro encontrar no Brasil produtos de Yiwu com preços mais baixos que os oferecidos na cidade chinesa.

Marcelo Pereira, que tem importadora e loja em São Paulo e vai de cinco a seis vezes ao ano a Yiwu, também reclama da concorrência. "Há muitos chineses indo para o Brasil e vendendo a preço muito baixo. Alguns estão trabalhando com margem de lucro de apenas 30%."

Segundo o comerciante Fabio Caliman, muitos chineses conseguem condições mais vantajosas de compras e são donos de empresas familiares, o que reduz seus custos e permite a oferta de preços mais baixos.

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