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Concurso do Ipea provoca polêmica

Conteúdo ideológico de questões foi criticado por professores e também por pesquisadores do instituto

Lu Aiko Otta, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

19 de dezembro de 2008 | 00h00

O concurso para contratação de pesquisadores para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) criou polêmica na academia e na instituição. "A insatisfação entre os técnicos é geral", disse um pesquisador da casa. "Achamos que as provas nivelaram por baixo e favoreceram ?concurseiros?, quando o salário oferecido, de quase R$ 11 mil, permitiria atrair pesquisadores de altíssimo nível." Uma das diretorias do Ipea marcou uma reunião para hoje na qual será discutido o processo seletivo. Na academia, há discussões sobre a viabilidade de pedir a impugnação do concurso. Apesar da polêmica, o ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, a quem o Ipea é subordinado, não pretende interferir. "O Ipea tem autonomia", afirmou.Aplicadas no domingo, as provas para 15 áreas diferentes têm sido criticadas por apresentar questões mal formuladas ou de conteúdo ideológico. Elas também têm sido atacadas por terem sido pouco exigentes.Os candidatos a técnico de Planejamento e Pesquisa foram convidados a marcar certo ou errado em afirmações do tipo: "A especulação financeira vislumbra como luz no fim do túnel o brilho do tesouro nacional". Pelo gabarito, está correto. Mas a questão virou chacota até entre economistas do governo. "Na próxima prova, vão colocar um texto do José Saramago e mandar assinalar certo ou errado", brincou um deles.Um candidato que não quis se identificar avaliou que a prova para Macroeconomia teve um conteúdo fortemente identificado com a linha de pensamento da Universidade de Campinas (Unicamp), ninho intelectual da linha "desenvolvimentista" do governo Lula. A suspeita também se comenta nos meios acadêmicos. "Foi uma prova para favorecer a panelinha da Unicamp e da Universidade Federal do Rio", disse um professor. Se a suspeita estiver correta, seria mais um episódio da disputa entre correntes de pensamento no Ipea. No ano passado, economistas afinados com o pensamento "ortodoxo" e "neoliberal" do governo Fernando Henrique Cardoso foram afastados do instituto.Outro candidato avaliou que a prova para Relações Internacionais foi fácil. Porém, havia afirmações para serem classificadas entre certo ou errado que não têm solução tão simples assim. Foi perguntado, por exemplo, se a instalação de uma empresa transnacional aumenta a produtividade total de fatores de um país. "A resposta é: depende", disse o candidato. "Depende do tipo de empresa, de como ela vai atuar no País." Professores de economia criticam também o fato de as provas terem sido pouco exigentes nas questões de cálculo. "Se o pesquisador não sabe fazer uma derivada, só teorias, não adianta nada", disse um acadêmico. Porém, há quem pondere que a prova foi pouco exigente nesses itens porque quer atrair não apenas economistas, mas profissionais de áreas como Ciências Sociais, o que é visto como positivo.Alguns candidatos estão preocupados com as fases posteriores do processo de seleção, que envolvem uma prova de títulos e uma prova oral. "A prova oral abre muito espaço para escolha das pessoas que mais se adequam a uma determinada linha de pensamento", comentou um candidato.A polêmica não surpreende o Ipea. Em nota, o instituto diz que o concurso anterior, de 2004, também provocou discussão. Para o Ipea, isso ocorre "pela dificuldade de suas provas e pela importância do Ipea para o Estado e a sociedade brasileiros." COLABOROU JOÃO DOMINGOS

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