Condomínios 'multiuso' são aposta da Brookfield para lançar R$ 3 bi este ano

A incorporadora Brookfield apostou em empreendimentos que unem hotel, shopping, torres corporativas e residenciais no mesmo terreno para atingir o mínimo estabelecido para a meta de lançamentos do ano - de R$ 3 bilhões. Neste mês, a empresa lançará três projetos classificados como multiuso, que somam um valor geral de venda (VGV) de R$ 1,15 bilhão e representam cerca de 35% dos lançamentos da Brookfield no ano.

MARINA GAZZONI, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2012 | 02h07

Os projetos serão desenvolvidos em Santo André (SP), Taguatinga (DF) e no Rio de Janeiro. Os dois primeiros começaram a ser vendidos no início do mês; o do Rio será lançado amanhã. Para o presidente da Brookfield Incorporações, Nicholas Reade, os projetos mistos atendem a uma demanda de cidades grandes ao oferecer moradia, trabalho e compras no mesmo espaço, evitando deslocamentos.

Segundo ele, a empresa tem interesse em desenvolver mais projetos do tipo, mas esbarra na dificuldade de encontrar áreas grandes o suficiente para encaixar todos os empreendimentos.

No entanto, os complexos permitem que projetos que não se viabilizariam isoladamente em certos locais saiam do papel como parte de um conjunto. "Construir um hotel ou uma torre comercial em uma área distante pode não dar certo. Mas, quando é um complexo, o empreendimento faz sentido. Vira um destino em si", disse o consultor do mercado imobiliário Caio Calfat.

Retomada. O primeiro complexo multiuso que se tem conhecimento no mercado é o Conjunto Nacional, construído na avenida Paulista nos anos 50. No espaço há salas comerciais, apartamentos e serviços, como restaurante, loja e academia.

"Esses projetos sumiram do mercado paulista nos anos seguintes por restrições da lei de zoneamento", disse o vice-presidente de urbanismo do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Ricardo Yazbek. A lei passou a determinar que algumas áreas tivessem uso estritamente residencial ou corporativo, o que inviabilizava os empreendimentos mistos em muitos bairros.

"Aos poucos, percebeu-se que isso distanciava as residências dos serviços e que promovia um deslocamento de carro pela cidade, piorando o trânsito", explica Yazbek. A mudança no plano diretor, em 2002, fez o mercado renascer em São Paulo.

A JHSF estreou neste mercado em 2006, com o complexo que inclui o shopping Cidade Jardim, em São Paulo, um projeto de R$ 1,6 bilhão em vendas. Hoje o segmento multiuso, que oferece margens mais altas, responde por cerca de 50% dos negócios de incorporação. "É uma tendência na Europa que se encaixa em grandes cidades brasileiras, onde o trânsito é problemático", disse o diretor de incorporações da JHSF, Luciano Amaral.

A Odebrecht criou sua divisão de incorporação imobiliária em 2004 de olho no segmento. Hoje a Odebrecht Realizações Imobiliárias tem 16 projetos multiuso em oito cidades. "A empresa nasceu para focar grandes empreendimentos. O multiuso foi uma escolha natural", disse o diretor da regional Centro-Sul da empresa, Paulo Melo. Em São Paulo, a companhia lançou em setembro seu maior projeto, o Parque da Cidade, que ocupará um terreno de 83 mil metros quadrados e somará vendas de R$ 4 bilhões.

Com os projetos lançados neste mês, a Brookfield resgata a linha Brookfield Century Plaza (BCP), que estreou em 1999 - ainda com o nome Brascan - com o BCP Itaim, em São Paulo, um complexo mais conhecido como Kinoplex, em referência ao cinema sediado no local.

Os projetos multiuso também representam uma nova aposta da Brookfield em hotelaria. "O mercado estava travado nos últimos anos. Agora, a demanda cresceu e os investidores se interessaram", disse Reade. Para ele, os hotéis fazem sentido dentro de complexos residenciais, corporativos e de compra.

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