Confiamos em projeção de PIB de 1% para 2009, diz Bernardo

Ministro ressalta políticas fiscal e monetária do governo e prevê que BC vai baixar ainda mais a taxa de juros

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

09 de junho de 2009 | 11h38

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse nesta terça-feira, 9, à Agência Estado que o governo continua confiante na previsão de crescimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano de 2009. "Não temos nenhuma razão para supor que a nossa projeção é pior do que a do FMI, ou as de mercado. O mercado errou feio nas suas projeções, por isso nós temos que confiar, sim, nas nossas projeções", afirmou Bernardo.

 

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Segundo o ministro, o resultado do PIB no primeiro trimestre - queda de 0,8% -, menos negativo do que as projeções do mercado, reflete as políticas fiscal e monetária adotadas pelo governo. Ele lembrou que o governo optou por reduzir tributos num momento difícil, apostando que valeria a pena perder receita neste momento para ter uma arrecadação maior no futuro, fruto da atividade econômica e não do aumento de impostos. "Acho que o governo apostou certo. Está dando resultado, mas temos que continuar trabalhando, não podemos descuidar", afirmou Paulo Bernardo.

 

Bernardo afirmou que o resultado do PIB no primeiro trimestre de 2009, apesar de negativo, nem de longe é igual ao que estava sendo projetado pelo mercado. "O pessoal estava projetando uma queda de 1,8% na margem. Foi de fato um resultado muito menos negativo do que as projeções indicavam. Somando ao fato de que temos vários indicadores positivos posteriores a março, isso confirma a tese que o governo tem defendido de que vamos ter aqui uma crise muito mais curta que em outros países", avaliou o ministro.

 

Segundo ele, está havendo uma recuperação no agronegócio, no mercado de trabalho e em alguns setores da produção, como construção e indústria automobilística. Bernardo lembrou que o Brasil foi atingido pela crise muito mais tarde do que outros países e agora vai sair dela com mais rapidez. "Há um convencimento no governo de que o segundo trimestre vai ter resultado positivo em relação ao primeiro trimestre e o melhor é que vamos acelerar nos dois trimestre posteriores e chegar ao final do ano num ritmo bem melhor de crescimento", disse.

 

Ele disse que não tem garantias de que o segundo trimestre de 2009 será melhor que o segundo trimestre de 2008, mas que de fato está havendo uma retomada da economia muito mais rápida do que muitos analistas estavam projetando. Bernardo contou que conversou esta manhã com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, com o presidente Lula e com técnicos do BNDES, e todos acharam que o resultado do PIB nos primeiros três meses do ano veio muito melhor do que a expectativa.

 

Investimentos

 

Segundo o ministro, o resultado da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no primeiro trimestre de 2009 - uma queda de 12,6% em relação ao quarto trimestre de 2008 - foi o pior indicador divulgado nesta terça pelo IBGE. "É uma queda muito violenta. Nós tivemos um crescimento do investimento de 14% em 2008. Então, é uma reversão ruim, bem negativa", constatou o ministro.

 

Bernardo lembrou, porém, que já está havendo a retomada dos investimentos em alguns setores, como a construção civil, e que isso acontecerá em outros. O ministro avaliou que está ocorrendo também uma recuperação do crédito, puxada pelos bancos públicos. "Os bancos públicos puxaram o crédito para um patamar maior (do que aquele) que tínhamos em setembro", disse o ministro.

 

Ele acrescentou que está havendo também uma redução do spread e dos juros bancários e que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, está concluindo a regulamentação do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para as pequenas e médias empresas, que poderá ser estendido para outros segmentos, como o agronegócio.

 

Copom

 

Bernardo lembrou ainda que o Banco Central (BC) voltou a reduzir os juros, dando uma sinalização clara para o mercado. "Inclusive, acho, que o BC vai continuar diminuindo os juros. A inflação está controlada, e adotamos medidas na área fiscal", disse o ministro.

 

Sobre as avaliações do mercado de que um PIB menos negativo do que o projetado levará o Copom a reduzir o ritmo da queda dos juros, Bernardo disse que há "muita especulação" no mercado. Segundo ele, durante todo o período do governo Lula, o BC não foi pressionado, ou, quando foi, não se deixou pressionar. "Então, acho que continuará assim. O BC não vai ser pressionado por um dado ou outro. O conjunto mostra o seguinte: estamos numa fase ruim da economia, saindo para uma fase melhor, com inflação controlada e, portando, acho que o BC tem condições de baixar os juros", avaliou.

 

O ministro disse, porém, que é muito ruim ficar fazendo projeções sobre o que o BC vai fazer. "O que o Copom (Comitê de Política Monetária, do BC) vai fazer é baseado em dados. Por isso, acho que não se deixará pressionar."

 

Texto atualizado às 12h13

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