Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Confiança da indústria cai ao menor nível desde 2005

Indicador registrou 68,1 pontos em junho, uma queda de 4,9% em relação a maio e de 22% na comparação com o mesmo mês do ano passado

Mário Braga, O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2015 | 15h08

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 4,9% em junho ante maio, passando de 71,6 para 68,1 pontos, informou nesta terça-feira, 30, a Fundação Getulio Vargas (FGV). Na comparação com junho de 2014, a queda foi de 22,0%. Com o resultado, o indicador atinge o menor nível da série histórica. A FGV destaca que entre abril de 1995 e outubro de 2005 a pesquisa era realizada com periodicidade trimestral, passando a ser mensal a partir desta data.

No segundo trimestre de 2015, o índice médio ficou 13,0% abaixo do registrado em igual período do ano passado, aprofundando o recuo de 3,2% registrado nos três primeiros meses do ano em igual base comparativa.

"O resultado da pesquisa sinaliza que, entre março e junho, a indústria de transformação enfrentou mais um trimestre de queda da produção e de margens de lucro comprimidas. Embora os indicadores que retratam a situação presente dos negócios estejam caindo mais fortemente em junho, chama atenção a piora das expectativas, levando a um elevado grau de pessimismo em relação ao horizonte de três a seis meses", afirma Aloisio Campelo Jr., Superintendente Adjunto para Ciclos Econômicos da FGV/IBRE.

A queda do ICI na margem se deve à piora das avaliações dos empresários tanto sobre o presente quanto sobre o futuro. O Índice da Situação Atual (ISA) caiu 5,6%, para 70,4 pontos, o menor da série mensal, iniciada em outubro de 2005. Já o Índice de Expectativas (IE) recuou 4,2% para 65,8, pontos, o menor da série histórica.

A maior contribuição para a queda do IE veio do item que sinaliza o emprego previsto , que caiu 7,8%, para 77,3 pontos, o nível mais baixo desde outubro de 1998 (77,0 pontos). Na passagem de maio para junho, houve diminuição na proporção de empresas prevendo aumento do quadro de pessoal nos três meses seguintes, de 10,4% para 8,2%, e aumento da parcela das que preveem diminuição, de 26,6% para 30,9%.

No ISA, a principal influência de baixa foi do quesito que mede o nível da demanda atual. O indicador recuou 12,0% ante maio, caindo a 58,6 pontos, a menor pontuação desde janeiro de 1992 (56,8 pontos), considerando-se o período em que a pesquisa era trimestral. A proporção de empresas que avaliam o nível de demanda atual como forte diminuiu de 5,4% para 3,3% entre maio e junho, enquanto a parcela de empresas que o consideram fraco aumentou de 38,8% para 44,7%.

A FGV também informou que entre maio e junho o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) diminuiu 0,8 ponto porcentual, para 78,2%, o menor nível desde abril de 2009 (78,0%).

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