Confiança da indústria cai ao menor nível em 10 anos

Em um ano, o índice que mede o humor de empresários mudou de otimismo para pessimismo extremo

Anne Warth, O Estadao de S.Paulo

31 Dezembro 2008 | 00h00

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) encerrou o mês em 74,7 pontos, o mais baixo desde outubro de 1998 (71,2 pontos). O índice faz parte da Sondagem Conjuntural da Indústria da Transformação e é pesquisado pela Fundação Getúlio Vargas. A velocidade na deterioração das expectativas foi altíssima, pois há pouco mais de um ano, em novembro de 2007, o ICI bateu recorde histórico de 119,8 pontos, patamar que foi mantido até agosto deste ano, de 119,2 pontos. O indicador "situação dos negócios para os próximos seis meses", chegou aos 87,7 pontos, o pior desde o início da coleta desse dado, em 1995. Os trabalhadores são os que mais têm motivos para se preocupar no início do próximo ano. A má notícia está relacionada ao indicador "emprego previsto", que encerrou o mês em 83 pontos, o pior desde abril de 1999, quando atingiu 81 pontos. Do total de empresários consultados, quase um terço (32,5%) prevê demissões nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Há apenas seis meses, em junho, a tendência era exatamente inversa - 35,7% dos empresários previam contratações. O indicador "produção prevista" ficou em 90,9 pontos, o menor desde janeiro de 1991 (79,4 pontos). Embora o indicador esteja entre os mais voláteis da pesquisa, ele costuma antecipar os dados apurados pelo IBGE. Do total de empresários consultados, 33,8% prevêem uma produção menor nos próximos meses. SURPRESA As mudanças de expectativas em relação ao que os empresários esperam para os próximos meses surpreendeu. Há apenas quatro meses, em agosto, as expectativas da indústria para os próximos seis meses atingiram 156 pontos, muito próximas do recorde histórico do indicador, de 157,6 pontos, de julho de 2000. No melhor resultado do ano, em junho deste ano, a previsão para o emprego atingiu 124,2 pontos, muito próximo do recorde histórico de 128,9 pontos, de julho de 1986. Os indicadores do levantamento da FGV variam de 0 a 200 pontos, sendo que 100 indica estabilidade, números abaixo mostram pessimismo e números acima demonstram otimismo. Para o coordenador de sondagens conjunturais do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Aloisio Campelo, os dados indicam que a atividade industrial, que já mostrou desaceleração nos últimos meses (pelo IBGE, houve queda de 1,7% em outubro ante setembro), deve manter um ritmo fraco no início de 2009. "Os empresários não estão se programando para aumentar a produção até janeiro", disse Campelo.

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