Daniel Teixeira/Estadão
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Confiança da indústria em maio atinge o menor nível em dez anos

Dos 14 segmentos pesquisados pela FGV, dez registraram queda

MÁRIO BRAGA e Lucas Hirata, O Estado de S. Paulo

27 Maio 2015 | 08h30

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 1,6% em maio ante abril, passando de 72,8 para 71,6 pontos, informou nesta quarta-feira, 27, a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, o índice atinge o menor nível da série mensal, iniciada em outubro de 2005. Dos 14 segmentos pesquisados, dez registraram queda. Na comparação com maio de 2014, a retração foi de 21,2%.

A queda do ICI na passagem de abril para maio foi impulsionada tanto pela avaliação da situação presente como pelas expectativas para os próximos meses. O Índice da Situação Atual (ISA) caiu 2,0%, para 74,6 pontos, e o Índice de Expectativas (IE) recuou 1,3%, para 68,7 pontos.

A maior contribuição para a queda do ISA veio do item que sinaliza a satisfação com o ambiente geral de negócios, que recuou 3,7% ante abril. No período, a proporção de empresas avaliando a situação atual dos negócios como boa passou de 8,1% para 8,4% do total. No entanto, a parcela daquelas que avaliam como fraca aumentou em grau mais forte, passando de 38,1% para 41,0%.

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'Embora a desvalorização do câmbio nos últimos meses traga algum alento ao setor, as expectativas de curtíssimo prazo continuam sem dar sinais de melhora', diz o superintendente adjunto para ciclos econômicos da FGV/IBRE, Aloisio Campelo Jr
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No IE, a única influência de baixa foi o indicador de produção prevista, que caiu 5,7% entre abril e maio, atingindo 85,5 pontos, o menor nível da série mensal iniciada em outubro de 2005. De acordo com a FGV, a proporção de empresas prevendo aumentar a produção nos três meses seguintes caiu de 13,4% para 13,2%, ao passo que a parcela das que esperam reduzir a produção aumentou de 22,7% para 27,7%.

A FGV também informou que entre abril e maio o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) recuou 0,9 ponto porcentual, para 79,0%, a menor marca desde maio de 2009 (78,9%).

Na avaliação do superintendente adjunto para ciclos econômicos da FGV/IBRE, Aloisio Campelo Jr., a diminuição da satisfação com a situação presente dos negócios e a queda do nível de utilização da capacidade sinalizam um desempenho fraco do setor no segundo trimestre de 2015. Para ele, as perspectivas também são negativas. "Embora a desvalorização do câmbio nos últimos meses traga algum alento ao setor, as expectativas de curtíssimo prazo continuam sem dar sinais de melhora", disse, em nota.

Construção. Os empresários do setor de material de construção estão menos pessimistas com o cenário de junho, frente o mês de maio. Entre os entrevistados pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), 19% consideraram bons os resultados de maio, enquanto 39% disseram que o período foi regular e 35% assinalaram o mês como ruim. Outros 6% apontaram o mês como muito ruim.

Para junho, 23% das companhias projetam boas vendas, 58% têm expectativas regulares e outros 16% acreditam em um ambiente ruim. A categoria de muito ruim ficou com 3% dos entrevistados.

A Abramat informou também que, em maio, 42% das indústrias de materiais pretendiam investir nos próximos 12 meses, o que representou uma melhora em relação a abril, quando a intenção relatada era de 41%. Em igual período do ano passado, o indicador estava em 74%.

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