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Confiança da indústria se recupera, mas haverá turbulência à frente, diz FGV

A alta de 3,9 pontos na prévia de junho, para 83,1 pontos, indica o quarto avanço seguido na comparação com o mês imediatamente anterior

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2016 | 14h16

A prévia do Índice de Confiança da Indústria (ICI) de junho, anunciada  pela Fundação Getulio Vargas (FGV), sinaliza uma virada na confiança da indústria. O problema, na avaliação do superintendente-adjunto de Ciclos Econômicos do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), Aloisio Campelo Junior, é o que virá pela frente.

A alta de 3,9 pontos na prévia de junho, para 83,1 pontos, indica o quarto avanço seguido na comparação com o mês imediatamente anterior. "O número de pessimistas está se reduzindo gradualmente, embora ainda não haja aumento do número de otimistas", disse Campelo.

Segundo ele, um gráfico em "w" é comum em recessão longa. Nas longas recessões do início dos anos 1980 e da virada das décadas de 1980 e 1990, o ICI teve uma evolução em "w", lembrou. "Haverá muita turbulência à frente", acrescentou Campelo, destacando a votação definitiva do processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, no Senado e a evolução das investigações da Operação Lava Jato como elementos de incerteza.

Nas recessões mais curtas, como em 1998 e 1999 e a de 2003, o ponto de virada no ICI correspondeu aos momentos de saída do quadro recessivo, de acordo com Campelo. "Nas recessões longas, a tendência é fazer um w", reforçou o pesquisador do Ibre/FGV.

Virada. Para o pesquisador, três fatores explicam a "virada" do ICI no primeiro semestre do ano. O primeiro é o avanço no processo de ajuste de estoques, iniciado em 2015. Campelo calcula que dois terços do ajuste tenham sido feitos.

O segundo fator, associado ao primeiro, é uma estabilização na atividade industrial, apontada pelos indicadores de produção, calculados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que passaram a subir ligeiramente na comparação na margem e a cair menos ante o ano anterior.

"Há uma percepção de que as taxas mais negativas tenham ficado para trás", disse Campelo.

O terceiro fator é mais subjetivo, segundo o pesquisador da FGV. "De alguma forma, há um componente nas expectativas de percepção de que as medidas e o encaminhamento político permitirão que a economia caminhe de forma mais favorável nos próximos meses", completou Campelo. 

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