Confiança de investidor alemão recua pela 4ª vez

Desaceleração da China e dos Estados Unidos aumenta temor de que a economia do país, dependente das exportações, seja afetada

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2010 | 00h00

A confiança dos investidores alemães despencou ante os temores de que a desaceleração das economias dos Estados Unidos e da China possa afetar o ritmo de recuperação da Alemanha até o fim do ano. Na semana passada, a Alemanha teve sua maior expansão do Produto Interno Bruto (PIB) trimestral desde a reunificação, no início dos anos 90. Mas, ontem, o índice que mede o moral dos investidores do país indicou uma queda importante. A taxa está no nível mais baixo desde abril de 2009.

A queda é a quarta consecutiva no índice que mede a confiança dos investidores alemães, em um sinal de que o setor financeiro e as empresas não estão confortáveis com os dados, mostrando recuo no ritmo de retomada do crescimento mundial. Para muitos analistas e investidores, isso significa queda nas exportações - a base da economia alemã.

Nos últimos anos, a Alemanha tem usado as vendas ao exterior como plataforma para expansão de sua economia, estratégia criticada por outros países europeus, que importam produtos alemães, e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que defende equilíbrio no sistema.

Com a crise, o governo alemão chegou a falar em modificar o modelo industrial, para ficar menos vulnerável ao que ocorre fora de seu território. Mas bastou a economia mundial dar sinais de recuperação no primeiro semestre que as vendas da Alemanha voltaram a subir, com expansão do PIB de 2,2% no segundo trimestre.

Queda. Segundo o índice do instituto ZEW, a confiança dos investidores caiu de 21,2 pontos em julho para apenas 14 pontos este mês. A taxa está bem abaixo da média histórica de 27,3 pontos e é inferior às expectativas do mercado, de cerca de 20 pontos.

Para analistas, os números seriam uma indicação de que a expansão de 2,2% no segundo trimestre não se repetirá este ano e não conseguirá ser mantida. "A queda da confiança indica que o crescimento enorme observado no segundo trimestre dificilmente vai continuar", afirma o instituto, em um comunicado. "Diante da dependência da Alemanha nas exportações, riscos substanciais para o crescimento econômico surgem do fraco desempenho no exterior."

Na gaveta

Na noite de segunda-feira, a chanceler Angela Merkel deixou claro que não vai reduzir

impostos sobre a renda, uma de suas promessas durante sua primeira campanha eleitoral.

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