Confiança de negócios na Alemanha piora com fraqueza de importadores

A confiança de negócios alemã em abril foi pior do que a previsão mais pessimista, caindo pelo segundo mês seguido ao passo que a maior economia da Europa foi prejudicada pelos mercados de exportação da zona do euro e da China.

MICHELLE MARTIN, Reuters

24 de abril de 2013 | 09h23

O instituto Ifo, com base em Munique, informou nesta quarta-feira que seu índice de clima de negócios, com base em uma pesquisa mensal junto a cerca de 7 mil empresas, caiu para 104,4 em abril, ante 106,7 em março.

Isso ficou aquém até mesmo da menor estimativa em pesquisa da Reuters, em que a mediana das estimativas de 45 economistas foi de 106,2.

O resultado vem um dia após a pesquisa preliminar do Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) ter mostrado que o setor privado da Alemanha contraiu em abril, ampliando o cenário para o Banco Central Europeu (BCE) cortar as taxas de juros em sua reunião na semana que vem.

Os dados do Ifo fizeram com o que o euro atingisse seu menor nível em quase três semanas contra o dólar.

"A forte queda no índice Ifo da Alemanha é mais um sinal de que não haverá um recuperação mais forte neste ano", disse David Brown, do New View Economics. "A Alemanha terá muita sorte se evitar uma recessão no curto prazo nos próximos dois trimestres."

A economia alemã conseguiu evitar a maioria dos contratempos da crise da zona do euro que deixou a maior parte do bloco em recessão, mas mostrou contração no último trimestre de 2012. Dados indicam agora dificuldades para deixar esse cenário para trás, especialmente devido à fraqueza da economia chinesa, um forte mercado alternativo.

A economia ainda não apareceu de forma notória na campanha eleitoral da Alemanha, mas se ela piorar significativamente poderá se tornar uma dor de cabeça para a chanceler Angela Merkel, no momento em que ela busca um terceiro mandato em setembro.

Enquanto isso, cresce o ímpeto no BCE para um corte nos juros. Os próprios dados de empréstimo do BCE divulgados nesta quarta-feira somaram-se à pressão, mostrando que a demanda por empréstimos em empresas e famílias na zona do euro desabou nos três primeiros meses do ano.

Taxas de juros mais baixas podem ajudar as exportações alemãs e, portanto, a economia da zona do euro, devido ao enfraquecimento do euro, que já caiu cerca de 1,5 por cento contra o dólar desde o início do ano.

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