Confiança de serviços indica 2º trimestre fraco, diz FGV

O recuo da confiança do setor de serviços em maio confirmou os sinais de que o segundo trimestre também será marcado pela atividade mais fraca, avaliou, nesta quarta-feira, 28, o economista Silvio Sales, consultor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). "O indicador retrata uma percepção desfavorável e sem perspectiva de melhora nos próximos meses", afirmou.

IDIANA TOMAZELLI, Agencia Estado

28 de maio de 2014 | 13h17

Neste mês, o Índice de Confiança de Serviços (ICS) caiu 5,7% ante abril. A difusão de resultados negativos foi a segunda mais elevada de toda a série, iniciada em junho de 2008. De 31 atividades pesquisadas, 84% se mostraram menos confiantes.

"O que percebemos é que, com isso, o patamar dos índices recua cada vez mais para o início de 2009. A diferença é que, ainda que no início de 2009 estivesse em um ponto desfavorável, a trajetória era de crescimento", ressaltou Sales. Para o economista, ainda não é possível garantir que a confiança dos serviços continuará piorando, mas tampouco há indicativos de uma recuperação.

Entre os quatro principais setores, que respondem por 70% do valor adicionado de serviços, todos apresentaram queda na confiança em maio. Ligados principalmente à demanda de empresas (incluindo indústria), os serviços de informação observaram queda de 11,3% no índice, resultado seguido, ainda que em menor intensidade, por serviços prestados às empresas (-1,6%) e serviços de transporte (-5,1%). "Isso refletindo a demanda empresarial mais fraca e, consequentemente, o movimento mais geral da economia", disse Sales.

No caso dos serviços prestados às famílias, a queda do ICS foi de 4,8% em maio. "Esse setor funciona de acordo com a capacidade de consumo das famílias. Com o mercado de trabalho andando mais lentamente, faz sentido que haja alguma acomodação por meio da demanda", explicou o economista.

A demanda foi, de fato, um dos principais entraves citados pelos empresários em maio. No momento atual, a parcela dos que avaliam a demanda como fraca aumentou a 25,9%. Em relação aos próximos três meses, 14% preveem demanda menor. Para Sales, esse quesito é mais preocupante, porque revela uma desaceleração de forma objetiva, pelo volume de serviços demandado.

Em geral, os empresários da atividade que responde por dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro ficaram mais pessimistas em maio. O total dos otimistas caiu de 28,4% para 25,0% neste mês, enquanto o número dos que acreditam em piora do cenário avançaram de 15,1% a 18,2% no período. "Algo está mudando. Se houver convergência desses resultados nas pesquisas quantitativas, será ainda pior. Mas pode ser que parte disso seja expectativa", disse Sales.

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