Confiança do consumidor atinge patamar recorde em agosto

Indicador atingiu os 120,8 pontos neste mês, acima dos 120,1 pontos atingidos em março de 2008, melhor resultado até então

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

24 de agosto de 2010 | 08h03

A confiança do consumidor em agosto atingiu patamar recorde, segundo a coordenadora técnica da Sondagem das Expectativas do Consumidor Viviane Seda Bittencourt. De acordo com a economista, o patamar de 120,8 pontos alcançado pelo Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em agosto foi o maior da série do indicador, iniciada em setembro de 2005. O desempenho deste mês bateu o recorde anterior, referente a março de 2008 (120,1 pontos). O índice é calculado com base em respostas apuradas pela sondagem do consumidor, usadas para elaborar uma pontuação, que pode atingir até 200 pontos. "A confiança do consumidor em agosto está forte, e em um patamar equivalente ao que se mostrava no cenário pré-crise", afirmou ela.

A economista explicou que o aumento de 0,7% no ICC em agosto ante julho foi menos intenso do que o apurado pelo indicador no mês passado (quando avançou 1,1%) porque o ICC já estava em um patamar muito elevado em julho. Na prática, segundo a especialista, o que houve em agosto foi uma permanência das condições positivas apuradas no mês anterior.

Entre os quesitos que influenciaram o bom resultado de agosto está a avaliação positiva das famílias de suas finanças pessoais, que também foi a melhor da série este mês. "Isso está sendo muito influenciado pela boa situação econômica nos últimos meses", disse Viviane. A técnica lembrou que o mercado de trabalho continua com sinais positivos, o que eleva o potencial de renda do trabalhador e, por consequência, seu interesse por comprar mais. "As expectativas para as finanças familiares para o futuro parecem estáveis em agosto", disse.

Isso também ajudou a aumentar a intenção de compras de bens duráveis nos próximos meses, outro quesito que impulsionou o avanço do ICC no mês. "Tivemos, em agosto, as melhores respostas para intenção futura de compra de bens duráveis desde maio de 2008", afirmou Viviane. "Parece que o consumidor está saindo de uma zona de endividamento de renda e pensando em comprar mais no futuro, aproveitando o acesso ao crédito favorável", resumiu.

A técnica, no entanto, fez uma ressalva. Em agosto, o consumidor elevou sua projeção de inflação para os próximos 12 meses, para 6,2%, ante 6,1% em julho. "Mas o consumidor não espera uma explosão de alta de preços, apenas um leve aumento. O fato de a projeção de inflação não ter se elevado muito também ajudou a manter em alta as intenções de compras, visto que o consumidor não espera uma alta desenfreada de preços", afirmou.

Entre as faixas de renda pesquisadas, o consumidor de baixa renda foi o único a apresentar queda no ICC, de agosto contra julho, com taxa negativa de 0,2% nas famílias com renda até R$ 2.100. "Parece que este tipo de consumidor se comprometeu muito com compras de pagamento de longo prazo, na época de reduções do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI (que puxou para baixo os preços de móveis e de geladeiras). Eles estão mais cautelosos do que os consumidores com poder aquisitivo maior", disse. "Mas este ciclo de endividamento das famílias de baixa renda está em vias de acabar, e ele sente que pode recomeçar a comprar em breve", disse ela, acrescentando que o ímpeto de compras futuras de bens duráveis está forte em todas as faixas de renda.

Entre as sete capitais pesquisadas, o consumidor paulistano está menos otimista, no entanto. Somente na capital paulista, o ICC caiu 1,9% em agosto ante julho. Isso porque o desempenho de produção industrial mostrou, no final do segundo trimestre, sinais de acomodação. "São Paulo é o maior parque industrial do País, e os resultados da indústria mais fracos acabaram por derrubar o humor do consumidor", explicou.

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