Confiança do consumidor cai pelo 3º mês

A preocupação com as dívidas está criando insegurança entre os consumidores. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) caiu pelo terceiro mês consecutivo, fechando em baixa de 1,1% em dezembro. Neste mês, o item da pesquisa relativo à situação financeira da família foi o principal responsável pelo recuo do indicador.

FERNANDA NUNES / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2012 | 02h04

"Há três meses percebíamos que o indicador de poupança estava caindo. Agora, o que aparece é a preocupação com o endividamento", afirmou a economista da FGV Viviane Seda.

Na passagem de novembro para dezembro, a taxa que mede as finanças das famílias dentro do ICC caiu 3,7% e, comparado a dezembro do ano anterior, recuou ainda mais, 4,5%. A avaliação da economista é que os consumidores, principalmente do grupo de mais baixa renda, com orçamento mensal de até R$ 2,1 mil, estão com o orçamento comprometido por dívidas passadas e não porque adquiriram bens duráveis recentemente.

Isso explica porque, apesar de informar que estão endividadas, as famílias projetam adquirir eletrodomésticos, eletrônicos e móveis. "Pode ser que esteja acontecendo um redirecionamento da renda que antes estava sendo usada para pagar dívidas. O consumidor, neste momento, está disposto a comprar duráveis e a poupar", ressaltou Viviane.

Neste mês, o indicador relativo à intenção de compra de duráveis subiu 5,5% e avançou muito mais no grupo de famílias com menor renda mensal.

Entre estes, o índice subiu 10,3%. Mas a alta deste mês não foi suficiente para compensar perdas passadas. De setembro a novembro, o mesmo indicador acumulou queda de 13,0%. "O resultado de dezembro é muito pontual. Temos que avaliar se a intenção de compra de duráveis irá permanecer", disse Viviane.

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