Confiança do consumidor é a maior em 9 meses

Índice sobe 4,1% em junho, ante maio, puxado por famílias de maior poder aquisitivo de SP

Alessandra Saraiva, RIO, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

O humor do consumidor voltou a mostrar os mesmos níveis apurados antes do agravamento da crise, em setembro do ano passado. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu 4,1% em junho ante maio, após alta de 2,2% no mês passado, na mais intensa elevação da série histórica, iniciada em 2005. Para o coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da Fundação Getulio Vargas (FGV), Aloísio Campelo, a melhora nas intenções de compra do consumidor aponta para uma recuperação do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre. Para o economista, isso pode representar um resultado positivo ou próximo de zero para o PIB, ante o primeiro trimestre do ano. De janeiro a março, houve queda de 0,8% em relação ao quarto trimestre de 2008. "Não podemos nos esquecer que o consumo das famílias representa 60% do PIB. O consumidor está mais seguro para voltar a comprar", afirmou. O cálculo do ICC foi feito com base em entrevistas em mais de 2 mil domicílios, entre 29 de maio e 19 de junho. O índice é dividido em dois indicadores: o Índice de Situação Atual (ISA), que apresentou alta de 5,3% em junho e de 2,7% em maio; e o Índice de Expectativas (IE), que apurou aumento de 4,4% este mês, depois da alta de 2,3% em maio. A melhora na confiança do consumidor em junho foi comandada por famílias de maior poder aquisitivo, moradoras de São Paulo. Somente entre as famílias com ganhos mensais acima de R$ 9,6 mil, o ICC subiu 6,7% em junho ante maio. Por sua vez, somente na cidade de São Paulo houve alta de 6,2% no índice de confiança, na mesma comparação. "Precisamos nos lembrar que a crise teve origem financeira", disse, explicando que a capital paulista conta com grande parte das famílias de maior poder aquisitivo e também investidores da Bolsa de Valores. Todos os cinco quesitos que compõem o cálculo do ICC indicaram melhora em relação a maio. Porém, o que mais pesou no saldo positivo foi o de expectativas quanto aos rumos da economia. A parcela dos entrevistados que apostam em melhora na situação da economia local nos próximos seis meses subiu de 28,3% para 30,9%. Já o porcentual dos que projetam piora caiu de 18,4% para 14,8%, de maio para junho. Segundo Campelo, o consumidor "não está nem muito otimista nem pessimista". A melhor definição, argumenta, seria a de um estágio de "neutralidade", primeiro passo para o início de retomada sustentável e crescente da confiança do consumidor. Mas admitiu que o nível dessa confiança, de 106,4 pontos, já alcança níveis semelhantes aos anteriores a setembro do ano passado, quando a crise global se agravou.O cenário positivo é fundamentado por vários fatores: a percepção de melhora, pelo consumidor, do mercado de trabalho como um todo; a sensação de inflação mais baixa e estimativas de redução para os próximos meses, e a expectativa de novas reduções de juros. Isso ajudou a elevar de 13,6% para 14,5%, de maio para junho, a fatia dos consumidores que preveem gastar mais com a compra de bens duráveis nos próximos meses. Ao mesmo tempo, subiu de 29,4% para 31,8% o porcentual de pesquisados que projetam melhora em sua situação financeira familiar, nos próximos seis meses.

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