Confiança do consumidor nos EUA sobe em dezembro

A confiança do consumidor norte-americano atingiu o seu nível mais alto em três meses em dezembro, enquanto os preços no abalado setor de moradias se estabilizou em outubro, quebrando um ciclo de ganhos de cinco meses.

BURTON FRIERSON, REUTERS

29 de dezembro de 2009 | 16h02

A leitura da confiança do consumidor divulgada nesta terça-feira reforçou as visões de que a economia está gradualmente se recuperando, e os dados de outubro sobre moradias dos índices amplamente observados do Standard & Poor's/Case-Shiller foram interpretados como sinais de que o mercado está se estabilizando.

O Conference Board, um grupo industrial, disse que o seu índice de atitudes do consumidor subiu para 52,9 em dezembro, de um número revisado de 50,6 em novembro. O pessimismo sobre o mercado de trabalho diminuiu e as expectativas do consumidor atingiram o nível mais alto em dois anos.

"Há alguns sinais de fraqueza, mas no todo, é um número melhor. Ele continua a tendência de melhora na economia dos Estados Unidos", disse Camilla Sutton, estrategista sênior de câmbio da Scotia Capital em Toronto, no Canadá.

Apesar de alguns sinais de otimismo, os consumidores em dezembro avaliaram a situação atual como a pior desde fevereiro de 1983, de acordo com o Conference Board. A economia norte-americana luta contra a pior recessão em décadas.

Em Wall Street, os índices Dow Jones e Standard & Poor's 500 exibiam alta. Títulos do governo, que normalmente têm um desempenho melhor em tempos de fraqueza econômica, tinham leve alta no dia antes de outro leilão da dívida do governo dos EUA.

JOGO DA CONFIANÇA

O índice de confiança do consumidor superou a previsão dos analistas de uma leitura de 52,5 baseada em uma pesquisa da Reuters que variava de 46 a 57. Ao mesmo tempo, a leitura revisada do mês passado também foi mais alta que o inicialmente divulgado, de 49,5.

O índice de expectativas subiu para 75,6 --o maior nível desde dezembro de 2007--, em comparação aos 70,3 de novembro.

A avaliação do mercado de trabalho pelos consumidores também mostrou alguns sinais de melhora, com o índice de "empregos difíceis de conseguir" declinando para 48,6 ante 49,2.

Os consumidores avaliaram sua situação atual como a pior desde fevereiro de 1983, com esse componente do índice geral caindo para 18,8, ante 21,2.

Também o componente de "emprego abundante" --que caiu de 3,1 para 2,9-- é o mais baixo desde fevereiro de 1983.

No setor imobiliário, o índice composto dos preços de moradias de S&P em 20 áreas metropolitanas se manteve estável em outubro, ficando um pouco abaixo das expectativas de um aumento de 0,2 por cento de acordo com uma pesquisa da Reuters. O índice de setembro foi revisado para cima para um aumento de 0,4 por cento, de uma leitura anteriormente divulgada de 0,3 por cento.

Somente sete das 20 cidades no índice composto tiveram ganhos nos preços em outubro, disse o S&P.

Uma retomada sustentável nos preços das moradias nos EUA é tida como vital para a frágil recuperação da maior crise a atingir o mercado imobiliário desde a Grande Depressão. Há preocupações crescentes de que níveis recorde de execução de hipotecas iriam crescer ainda mais e fazer os preços declinarem novamente.

"O relatório sinaliza que nós temos uma crescente estabilização nos preços de moradias. Obviamente é num ritmo muito lento e é porque o mercado ainda está sendo controlado por uma quantidade siginificativa de estoques", disse Anna Piretti, economista sênior do BNP Paribas.

"Nós devemos ver algumas correntes cruzadas negativas nos preços das moradias em novembro, mas isso não muda realmente a tendência -- a tendência deve ser em direção à estabilização."

O S&P disse que a taxa anual de declínio de preços melhorou, com o índice de 20 cidades norte-americanas caindo 7,3 por cento, menos que a queda revisada de 9,3 por cento em setembro. Uma pesquisa da Reuters tinha previsto um declínio de7,2 por cento.

Todas as 20 áreas metropolitanas e ambos os índices de 20 e de 10 cidades mostraram taxas menores de declínio em outubro comparado com setembro.

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