Confiança do consumidor tem menor nível em nove meses

Levantamento divulgado nesta quinta-feira pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) mostrou que os recentes atos de violência, principalmente a partir da segunda quinzena de julho, afetaram negativamente o otimismo da população da Região Metropolitana de São Paulo em relação à situação econômica. De acordo com a entidade, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) atingiu em agosto 128,6 pontos, o menor nível em nove meses. O resultado foi 4,5% menor que o verificado em julho e 2% inferior ao de agosto de 2005.Segundo a Fecomercio-SP, o resultado do ICC foi influenciado, principalmente, pela variação negativa do Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA), indicador que mede o grau de otimismo do consumidor quanto ao presente e que atingiu em agosto 120,3 pontos, uma queda de 6,3% ante julho. O Índice de Expectativas do Consumidor (IEC), por sua vez, que indica a percepção futura do consumidor, registrou 134,2 pontos este mês, 3,3% inferior ao verificado em julho."Como o cenário econômico é estável, a queda nos indicadores de confiança só pode ser atribuída à fragilidade da segurança pública em São Paulo. Quadro que também influencia negativamente a expectativa dos consumidores em relação ao futuro", afirmou, em comunicado à imprensa, o presidente da Fecomercio-SP, Abram Szajman.Mulheres x homens De acordo com a pesquisa, em termos gerais, as mulheres com mais de 35 anos estão menos otimistas. A confiança delas atingiu 124,6 pontos, contra os 132,9 pontos alcançados pelos homens. Na avaliação da Fecomercio-SP, essa diferença ocorre em conseqüência de o público feminino ser mais sensível às mudanças conjunturais que afetam diretamente o bem-estar da família.A entidade destacou que uma análise segmentada do ICEA mostrou que o esfriamento no otimismo atingiu homens e mulheres de todas as faixas de renda e etárias. No entanto, consumidores de renda mais alta, superior a 10 salários mínimos, e com idade acima dos 35 anos foram os mais afetados: o primeiro grupo ficou 11,8% menos otimista e o segundo, 10,7%.Quanto à retração de 3,3% verificada no IEC, a Fecomercio-SP explicou que o movimento foi impulsionado pela queda de 5,1% na confiança do consumidor com faixa de renda inferior a 10 salários mínimos. O indicador dos consumidores com rendimentos acima deste patamar se mostrou estável (0,1%)."Isso se explica porque quem ganha menos de 10 mínimos está mais atento às dificuldades imediatas do que aos benefícios do cenário econômico. Já o humor da parcela com renda superior é mais suscetível às possíveis trajetórias de outros indicadores, entre eles a taxa de juros", analisaram os técnicos da Fecomercio-SP.

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