Confiança do consumidor volta a cair após 5 meses

Coordenador da pesquisa não vê pessimismo, ?mas moderação no otimismo?

Alessandra Saraiva, RIO, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2009 | 00h00

Após cinco meses em alta, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) voltou a cair. O resultado de agosto foi de -0,4% ante julho, após alta 2,9% no mês passado, na mesma base de comparação. Para o coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Aloisio Campelo, o bom humor do brasileiro foi "refreado" em relação aos rumos da economia nos próximos meses. "Isso não quer dizer pessimismo. Mas há sinais de moderação no otimismo." O ICC é dividido em dois indicadores: o Índice de Situação Atual (ISA), que subiu em julho (2,9%) e em agosto (2,3%), na comparação com mês anterior; e o Índice de Expectativas (IE), que apurou queda de 1,7% este mês, depois da alta de 2,8% em julho.O levantamento abrange amostra de mais 2 mil domicílios, com entrevistas entre 3 e 20 de agosto. Desse total, o porcentual de consumidores que preveem melhora na economia nos próximos seis meses caiu de 31,7% em julho para 29,7%, em agosto. Já a parcela dos que projetam piora subiu de 13,5% para 14%. "Há sinais de incerteza no ar", admitiu Campelo. "Parece haver uma percepção de que a recuperação na economia não se dará de forma rápida, como se pensou inicialmente", afirmou. O economista classificou o resultado como "uma acomodação", por estar muito próximo de zero. O mesmo prognóstico fez a analista da consultoria Tendências, Ariadne Vitoriano. "Cabe lembrar que, apesar da queda, o índice de expectativas atingiu o nível mais elevado desde maio de 2008, em termos dessazonalizados. Já o ISA e o ICC estão em patamares próximos aos apresentados em setembro, antes da contaminação da economia doméstica pela crise externa", afirmou a técnica. SÃO PAULOSomente em São Paulo, o ICC subiu 24,5% no ano até agosto, bem acima da média nacional, de 16,6%. É a mais intensa elevação entre as sete cidades pesquisadas para cálculo do indicador. Além disso, o ICC em agosto ante julho não caiu em São Paulo, e apresentou estabilidade no período (0%). Para Campelo, o consumidor de alta renda morador de São Paulo foi o que mais sofreu no auge da crise, em setembro do ano passado. Isso porque, inicialmente, o cenário turbulento impactou mais fortemente os grandes investidores de mercado de capitais, concentrados na capital paulista. "Agora, ao longo de 2009, esse consumidor foi o que mais apresentou sinais de recuperação na confiança", disse Campelo. O ICC nas faixas de renda das famílias com ganhos até R$ 2,1 mil caiu 1,7% em agosto ante julho, enquanto nas famílias com renda acima de R$ 9,6 mil subiu 0,3%.

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