Confiança do consumidor volta a subir em dezembro

Índice teve alta de 0,5% neste mês, puxado pelo mercado de trabalho favorável e pela inflação controlada no fim do ano

ALESSANDRA SARAIVA / RIO, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2011 | 03h05

Com mercado de trabalho favorável e percepção de juros e inflação mais baixos, o consumidor manteve confiança em nível elevado em dezembro, mas com menor entusiasmo. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) subiu pela terceira vez consecutiva, com alta de 0,5% este mês, menos intensa que a de novembro (3,3%).

Mesmo próxima de zero, a variação foi suficiente para acelerar o indicador de 119 pontos para 119,6 pontos de novembro para dezembro, e sustentar nível bem acima da média histórica (110,9 pontos desde 2005).

Boas notícias no cenário macroeconômico de dezembro mantiveram em alta o humor do consumidor. Na quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou taxa de desemprego de 5,2% em novembro, a menor desde 2002. "Com a segurança de estar empregado, o trabalhador se sente mais à vontade para acessar crédito e consumir", disse a economista da FGV Viviane Seda.

Não foi somente o mercado de trabalho que sustentou a confiança do consumidor em nível elevado. O orçamento familiar foi favorecido pelo menor avanço dos preços na reta final do ano. A expectativa de inflação do consumidor pesquisada pela FGV para os próximos 12 meses caiu de 7,3% para 6,8% de novembro para dezembro.

O temor de juros altos também diminuiu: em mais de 2 mil domicílios pesquisados pela FGV, a parcela que aguarda juros menores para os próximos meses subiu de 25,2% para 34,4%, de novembro para dezembro.

Todos estes fatores combinados impulsionaram a impressão favorável do brasileiro em relação à economia. A fatia dos consumidores que a avaliam como boa subiu de 25,1% para 27,1%. Já a dos que a julgam ruim caiu de 18,9% para 17%. "A boa avaliação do consumidor sobre a situação atual da economia foi o que mais contribuiu para uma taxa positiva no ICC de dezembro", disse Viviane.

Houve também melhora quanto ao futuro do cenário econômico. Para os próximos seis meses, a parcela de pesquisados que prevê ambiente mais favorável subiu de 26,3% para 26,7%. Já a dos que esperam piora caiu de 18,5% para 16,8%. Mas a economista da FGV fez uma ressalva. Os consumidores não descartam uma freada, em 2012, no ritmo aquecido do mercado de trabalho. Isso pode afetar as intenções de compra para o próximo ano.

O indicador de emprego futuro da FGV está em 100,5 pontos, 3,6% inferior ao de novembro (104,2 pontos), o menor desde maio de 2011 (99,5 pontos). "Este indicador ainda está na fase de otimismo moderado, porque está acima da média histórica (96,2 pontos). Mas temos de esperar passar janeiro", afirmou Viviane.

Em dezembro, as famílias mais ricas tiveram a maior contribuição na formação da taxa positiva do ICC em dezembro. Somente entre os consumidores com ganhos mensais entre R$ 4.800,01 e R$ 9.600, o ICC subiu 2,2% no último mês do ano - mesmo porcentual de alta do indicador entre os que ganham acima de R$ 9.600.

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