Confiança do empresário é a menor desde a crise

Queda do Índice de Confiança do Empresário Industrial é a maior dos últimos dez meses e[br]prejudica investimentos

Célia Froufe / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2011 | 00h00

Desde a crise financeira internacional, na passagem de 2008 para 2009, o otimismo do empresário brasileiro nunca esteve tão abalado. O pior é que o desânimo dos industriais tende a se refletir na contenção de investimento, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em maio, a redução de 2,2 pontos do Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) foi a maior dos últimos dez meses, levando o indicador a 57,5 pontos.

Na comparação com maio de 2010, a queda foi maior, de 8,8 pontos. Com isso, o Icei ficou abaixo da média de 59,7 pontos verificada desde 1999. A piora do humor dos empresários consultados pela confederação não foi repentina, já que, desde fevereiro, os executivos vêm demonstrando menos otimismo.

No pós-crise, o auge das expectativas positivas foi em janeiro de 2010, quando não restava mais dúvidas de que a turbulência externa já havia passado no Brasil. Na ocasião, o Icei chegou a 68,7 pontos.

Como o indicador varia de zero a cem e o resultado de maio ainda está na metade superior desse leque, a CNI avalia que o industrial ainda segue otimista. "Mas a queda na confiança sinaliza potencial redução nos investimentos da indústria nos próximos meses", avaliou a entidade.

Cerca de 1,8 mil pessoas que trabalham em empresas de vários portes foram entrevistadas pela confederação.

Humor. Para o economista da Tendências Consultoria Integrada Rafael Bacciotti, o termômetro da CNI mostra que o humor dos industriais converge com a perspectiva de desaceleração da economia incentivada pelo próprio governo. "O cenário ainda segue favorável, com a perspectiva de investimentos em infraestrutura. É preciso aguardar para ver se esta é uma tendência", comentou.

O parâmetro que mostrou maior deterioração foi o da percepção de que as condições da economia brasileira pioraram em relação aos últimos seis meses. Esse componente ficou em 44,9 pontos em maio, abaixo da linha divisória dos 50 pontos.

Os entrevistados também identificam que a situação das empresas em que trabalham parou de melhorar. Esse termômetro chegou a 50,3 pontos este mês. Em relação ao futuro, ainda de nota otimismo, já que as expectativas sobre a economia e sua empresa nos próximos seis meses estão em 62,1 pontos em maio.

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