Confiança do varejo caiu menos este mês

Indicador da FGV que mede o humor dos empresários recuou 0,3% em maio ante abril, após queda 15% no trimestre

IDIANA TOMAZELLI / RIO, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2015 | 02h06

Após um primeiro trimestre de muito pessimismo, as expectativas do comércio melhoraram de forma significativa em maio. Embora o setor ainda esteja em uma fase de crescimento muito baixo, o número de empresas que esperam piora nos negócios diminuiu, enquanto a previsão de vendas e contratações para os próximos três meses melhoraram, segundo dados divulgados ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Todos esses resultados, porém, devem ser vistos com reservas, já que a percepção sobre a situação atual continuou piorando, levando a confiança da atividade a ceder 0,3% neste mês ante abril.

"A melhora é limitada, não há componente na economia que justifique isso. O que existe é a possibilidade de que as vendas não continuem caindo tanto. Temos de esperar para confirmar se isso vai se transformar em uma melhora efetiva", ponderou o economista Aloisio Campelo, superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV.

A queda da confiança do comércio em maio sucedeu a alta de 0,5% em abril. Os dois resultados foram considerados estabilidade, após um recuo de 15,3% acumulado entre dezembro do ano passado e março de 2015.

Nas expectativas, houve uma "clara virada", segundo Campelo. O índice subiu 2,1% em abril e avançou 4,1% em maio, atingindo quase todos os setores, incluindo móveis e eletrodomésticos, um dos mais afetados pelo menor crédito disponível e pela desaceleração na alta da renda das famílias.

Há, porém, uma piora intensa na avaliação sobre a situação atual, e reclamações sobre demanda insuficiente, elevado custo financeiro e acesso mais restrito ao crédito bancário atingiram recordes na série, iniciada em março de 2010. "Um grupo de empresas vê possibilidade de a desaceleração da atividade perder fôlego. Mas há chance de haver frustração", salientou Campelo.

A cautela na leitura dos dados também vale para os indicadores de vendas previstas, que subiu 3,7% em maio, e do emprego previsto, que avançou 5,9% no mês.

Emprego. No caso do emprego, a melhora é, na verdade, uma "menor potência do ritmo de desmobilização da mão de obra", explicou Campelo. Isso porque o número de empresas que pretendem demitir (19,9%) ainda é maior do que a fatia das que planejam contratar (9,9%). "Alguns setores estavam francamente desmobilizando a mão de obra, como o comércio de veículos. Agora, há uma calibragem, esse foi um dos setores em que esse indicador mais melhorou. Mas não significa que vai se tornar contratante", afirmou.

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