Confiança dos analistas na economia cai em dezembro

Segundo Fecomércio, apesar de ter recuado, indicador ainda aponta otimismo

Gustavo Uribe, da Agência Estado,

29 de dezembro de 2009 | 18h15

A expectativa dos analistas em relação à recuperação da economia pós-crise registrou ligeira queda em dezembro, aponta o Índice de Sentimento dos Especialistas em Economia (ISE), calculado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) em parceria com a Ordem dos Economistas do Brasil (OEB). Divulgado nesta terça-feira,29, o indicador, que leva em conta a opinião de cerca de cem economistas da OEB, caiu para 110 pontos em dezembro, ante 111,5 pontos registrados em outubro e repetidos em novembro, melhor resultado da série histórica do indicador, calculado desde junho de 2008.

 

Na análise interanual, o ISE teve crescimento de 54,7%, passando dos 71,1 pontos em dezembro de 2008 para o desempenho atual. A forte alta já era esperada pelos economistas da entidade, uma vez que o desempenho do mês de dezembro do ano passado foi um dos piores da série em razão do agravamento da crise mundial.

 

Os analistas da Fecomercio-SP também observam que, apesar da queda mensal, o indicador permanece pelo quarto mês consecutivo no patamar de otimismo. O índice tem escala de 0 a 200 pontos, indicando pessimismo abaixo de 100 e otimismo acima desse nível. Na avaliação da entidade, os economistas consultados permanecem otimistas em relação ao futuro da economia nacional em virtude dos sinais de arrefecimento da crise nos âmbitos nacional e internacional. "No Brasil, há indicadores claros de que a economia está no rumo de crescimento, com aumento do emprego, do crédito e da massa de rendimentos", explicou o economista da Fecomercio-SP, Guilherme Dietze.

 

A entidade atribuiu a ligeira queda mensal do indicador à preocupação dos economistas com uma possível elevação da taxa básica anual de juros, a Selic, que está atualmente em 8,75% ao ano, e ao aumento dos gastos públicos, principalmente depois do anúncio da elevação do salário mínimo dos atuais R$ 465 para R$ 510 e seus reflexos nas contas da Previdência. Para os economistas, não há perspectiva de redução do gasto, o que deve pressionar a inflação e resultar na elevação da taxa básica de juros. "Esses itens devem continuar no patamar de pessimismo, influenciando negativamente o índice geral", afirmou Dietze.

 

Dos nove itens que compõem o ISE, seis permaneceram em grau de otimismo em dezembro: nível de atividade interna (179,3 pontos), cenário internacional (162), nível de emprego (142,3), salários reais (113,6), oferta de crédito ao consumidor (124,1) e taxa de câmbio (101,6). Os três itens que se mantiveram na faixa de pessimismo foram taxa de inflação (82,4 pontos), taxa de juros (73,7) e gastos públicos (11). Dietze destacou que o receio dos economistas em relação a esses três itens deve se manter nos próximos meses.

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