Confiança dos empresários volta a cair em outubro

Apesar da queda, a CNI avalia que o otimismo dos empresários continua elevado e aproxima-se dos níveis verificados no período anterior à crise econômica

Ayr Aliski, da Agência Estado ,

20 de outubro de 2010 | 15h46

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), mensurado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), ficou em 62,8 pontos em outubro. É a segunda queda consecutiva, uma vez que em setembro o indicador havia ficado em 63,4 pontos e em agosto, em 64 pontos. A retração chega a 3,1 pontos quando realizada comparação com o índice apurado em outubro de 2009, que foi de 65,9 pontos. Apesar da queda, a CNI avalia que o otimismo dos empresários "continua elevado" e aproxima-se dos níveis verificados no período anterior à crise econômica, ao redor de 62 pontos. Os resultados do Icei de outubro foram divulgados há pouco pela CNI.

Para o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, o movimento de queda do Icei é natural, depois do recorde de 68,7 pontos registrado em janeiro. "Geralmente os empresários estão mais otimistas no início do ano, e janeiro último coincidiu ainda com o setor industrial saindo da crise", cita Fonseca, em material divulgado pela CNI. Para Fonseca, os empresários apresentaram um reforço do otimismo com o final da crise financeira mundial, mas depois ajustaram suas perspectivas.

"O empresário olhava para trás e via a crise, portanto o otimismo era elevado. Mas hoje ele olha para trás e vê que já houve melhoras e o cenário não deverá melhorar tanto", afirma Fonseca. A média histórica do índice é de 59,5 pontos. O Icei varia em um intervalo entre zero e cem. Quanto maior o índice apurado, maior é a confiança do empresariado e vice-versa. Mas os valores acima de 50 indicam empresários confiantes, explica a CNI.

Dos 26 setores pesquisados, 16 registraram queda no índice na comparação com setembro. As maiores quedas - em 2 pontos ou mais - foram apuradas entre os setores de farmacêuticos, outros equipamentos de transporte, limpeza e perfumaria e veículos automotores.

Em sentido inverso, o otimismo aumentou - acima de 2 pontos - nos setores de indústrias diversas, plástico, calçados, metalurgia básica e móveis. Os setores que apresentaram os valores mais baixos do Icei, em outubro, foram os de madeira (56,2), couros (57,8) e têxteis (58,9), ainda assim na faixa que indica "empresários confiantes". Os setores com valores mais elevados, portanto mais otimistas, foram calçados (67,6), edição e impressão (66,2) e minerais não-metálicos (65,1).

A CNI destaca que o índice de confiança das indústrias extrativa e da construção civil registrou queda de 1,9 ponto em outubro, na comparação com setembro. O Icei da indústria extrativa caiu de 64,1 para 62,2 pontos e o da construção civil recuou de 64,8 pra 62,9 pontos do mês passado para o atual. "Os indicadores por segmento se aproximam, mostrando que há uma convergência na percepção dos empresários", avalia o gerente-executivo de pesquisa da CNI.

Por porte, as grandes indústrias apresentaram Icei de 64,1 pontos em outubro, frente aos 64,7 pontos em setembro. As médias indústrias apresentaram 62,1 pontos, ante 62,6 pontos em setembro. As pequenas apresentaram índice de 61,8 pontos, perante 62,3 pontos no mês anterior.

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