Confiança industrial tem pior nível em mais de três anos

Indicador fica em 52,5 pontos no terceiro trimestre devido ao agravamento da crise financeira internacional

Sandra Manfrini, da Agência Estado,

21 de outubro de 2008 | 12h00

A confiança dos empresários industriais caiu no terceiro trimestre deste ano ao pior nível desde julho de 2005. De acordo com a pesquisa Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgada há pouco pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o indicador ficou em 52,5 pontos no terceiro trimestre, ante os 58,1 pontos apurados no trimestre anterior, uma queda de 5,6 pontos. Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o ICEI estava em 60,4 pontos, a queda é ainda maior, de 7,9 pontos. Em julho de 2005, o pior nível de confiança registrado pelo ICEI, o índice ficou em 50,7 pontos.  De acordo com a CNI, os motivos que levaram à queda da confiança do industrial foram "o agravamento da crise financeira internacional, o aumento das incertezas em relação ao cenário externo e os impactos no mercado interno". Segundo a pesquisa, a crise atingiu especialmente as grandes empresas, o que se explica em razão de que 80% das indústrias de grande porte são exportadoras. O índice de confiança entre as empresas de grande porte caiu de 59,9 pontos para 51,5 pontos no terceiro trimestre do ano. Segundo a CNI, é o pior indicador entre as grandes empresas desde julho de 2002, quando a confiança dos grandes empresários foi de 49,9 pontos.  Houve também uma queda na confiança entre as empresas de pequeno e médios portes. O indicador para as pequenas empresas caiu de 56,6 pontos no segundo trimestre para 53,6 pontos no terceiro trimestre. No caso das médias empresas, o indicador caiu de 57,1 pontos para 52,6 pontos. O Índice de Confiança do Empresário Industrial é elaborado trimestralmente pela CNI, com a participação das federações da indústria de 23 estados mais o Distrito Federal. Ele é composto pelas avaliações dos empresários quanto às condições atuais e futuras da economia brasileira e da empresa. Os indicadores do ICEI variam de zero a cem pontos, sendo que os resultados acima de 50 pontos são positivos, ou seja, indicam otimismo do empresariado. Pessimismo Em relação ao futuro próximo, a confiança da indústria também piorou. De acordo com a pesquisa da CNI, o índice de expectativa para os próximos seis meses caiu de 61,6 pontos em julho para 53,4 pontos no terceiro trimestre deste ano. Apesar da queda no indicador, destaca a CNI, o empresário brasileiro ainda está otimista com relação ao futuro.  Já com relação à economia brasileira, há pessimismo entre os industriais. Segundo a pesquisa da CNI, esse indicador caiu de 55,4 pontos no segundo trimestre para 46,7 pontos no terceiro trimestre, uma queda de 8,7 pontos. Com relação à situação atual, os índices mantiveram-se praticamente inalterados na comparação com o trimestre anterior, caindo de 51,2 para 50,5 pontos. Os empresários continuam a perceber a piora da economia brasileira na comparação com os últimos seis meses (índice de 47 pontos). Apesar desse pessimismo, o indicador relativo à própria empresa permanece acima de 50 pontos, em 52,4 pontos ante os 53,2 pontos da pesquisa anterior. Bebidas O ICEI no terceiro trimestre do ano registrou queda em praticamente todos os 27 setores considerados pela CNI. Segundo o documento apenas o setor de Bebidas manteve praticamente inalterado o índice de confiança na comparação com o trimestre anterior (passou de 56,6 pontos parar 56,5 pontos). Outros seis setores, Álcool, Couros, Borracha, Calçados, Papel e Celulose, e Madeira, registraram índices de confiança abaixo de 50 pontos no terceiro trimestre, o que indica pessimismo do empresário. Na pesquisa anterior, divulgada em julho, apenas dois setores (Couros e Madeira) registraram índices inferiores a 50 pontos.

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