Confiança na economia é a menor em 15 anos

Após quarta queda seguida, índice pesquisado pela CNI ficou em 46,4 pontos em julho, o mais baixo da série iniciada em 1999

LAÍS ALEGRETTI, NIVALDO SOUZA /BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2014 | 02h02

A confiança dos empresários brasileiros registrou a quarta queda consecutiva em julho e atingiu o pior resultado em 15 anos, segundo dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) ficou em 46,4 pontos em julho, o menor da série histórica, que tem início em 1999. O resultado abaixo da linha dos 50 pontos indica desconfiança dos executivos consultados na pesquisa.

O pessimismo dos empresários é grande e está disseminado entre as diferentes áreas da indústria, segundo o economista da CNI Marcelo Azevedo. "O resultado é pior que momentos de crise aguda, como crise cambial ou crise financeira", lembrou. O índice indica o pessimismo dos empresários com relação ao momento atual e aos próximos meses. O economista avalia que o índice continua em tendência de queda.

O resultado de julho mostra uma retração de 1,1 ponto na comparação com o mês anterior e, desde março, acumula um recuo de 6,1 pontos. Na comparação com julho do ano passado, a queda foi de 3,5 pontos.

A CNI informou que não é possível avaliar se as medidas anunciadas pela presidente Dilma Rousseff para a indústria, como a desoneração permanente da folha de pagamentos, tiveram impacto nas respostas dos empresários. O levantamento, entretanto, foi feito entre os dias 1.º e 11 de julho, depois dos anúncios. Azevedo garantiu que as medidas estão na direção correta ao dar mais previsibilidade ao empresariado.

A indústria de transformação mostrou índice de 45,6 pontos e a da construção civil, de 47,7 pontos. A indústria extrativa ficou com 50 pontos, exatamente na linha entre confiança e falta de confiança. No setor de transformação, das 28 áreas pesquisadas, apenas três se mostraram confiantes: bebidas, farmacêuticos e manutenção e reparos.

O índice pesquisado pela CNI considera as avaliações do empresariado sobre as condições atuais e futuras. Em relação às condições do momento, o índice de confiança foi de 32,2 pontos para a avaliação da economia brasileira e de 40,7 pontos sobre a própria empresa. Quanto ao futuro, os índices são de 42,8 pontos para a economia brasileira e de 54,6 pontos para a empresa. Os indicadores variam de 0 a 100. Os números abaixo de 50 indicam expectativa pessimista.

Capacidade. A CNI também informou ontem que a utilização da capacidade instalada (UCI) da indústria recuou três pontos porcentuais em junho na comparação com o mês anterior, registrando 68%, ante 71% em maio, conforme números da Sondagem Industrial. Foi o pior porcentual do índice para o mês na série histórica, ficando abaixo do nível verificado tradicionalmente nos meses de baixa atividade (dezembro e janeiro).

O indicador de evolução da produção ficou em 39,6 pontos no mês passado, apresentando queda em relação aos 48,7 pontos de maio, registrando o pior desempenho para a série iniciada em 2010. Com isso, o índice marcou o oitavo mês consecutivo abaixo da linha divisória de 50 pontos. A CNI classificou o resultado como um "aprofundamento" do "quadro negativo" da atividade industrial.

A entidade afirma que a Copa do Mundo afetou o desempenho da indústria no mês passado. "Certamente há aspectos atípicos em junho e a realização da Copa afetou de forma excepcional os resultados do mês", avaliou a CNI.

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