Confiança no Brasil segue elevada, avalia EIU

A consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU), numa análise sobre o impacto da crise argentina em outros mercados emergentes, disse que a confiança dos investidores no Brasil neste momento continua elevada, devido às oportunidades de investimento, o prudente gerenciamento econômico e ao tamanho do mercado doméstico do País. Além disso, a consultoria ressaltou que o governo brasileiro ainda dispõe de US$ 8,5 bilhões em créditos ?stand-by? disponíveis FMI, "que teoricamente poderiam ser sacados se o financiamento privado" se tornar complicado. "Portanto, embora o custo de rolar a dívida pública possa vir a ser elevado e o real possa vir a sofrer renovadas pressões nas próximas semanas, o governo deverá manter o acesso ao financiamento e evitar dificuldades de pagamentos", disse a EIU.A consultoria alertou, no entanto, que o Brasil possui suas próprias deficiências estruturais, principalmente uma onerosa dívida pública, grandes necessidades de financiamento externo e uma sucessão presidencial incerta, que poderá "voltar a gerar nervosismo nos investidores nas próximas semanas e meses". "Uma queda sustentável do real, que já se enfraqueceu modestamente após a desvalorização na Argentina, poderia acentuar o custo dos serviços da dívida pública, boa parte da qual está denominada ou ligada ao dólar, e poderia renovar as dúvidas sobre a solvência pública no médio prazo."ArgentinaA EIU ressaltou que a recessão na Argentina vai se aprofundar após a desvalorização do peso. Além disso, grandes somas de capital estrangeiro serão necessárias para escorar o novo programa econômico. Se isso não ocorrer, "a economia vai continuar a afundar, e a instabilidade provavelmente retornará". O sistema cambial duplo provavelmente será instável, com a forte desvalorização no mercado paralelo "debilitando o câmbio fixo". Com a credibilidade do Banco Central argentino "em questão" e com as reservas limitadas, o governo poderá ser forçado a adotar uma livre flutuação nas próximas semanas. "Vai levar um bom tempo para os efeitos da desvalorização serem digeridos, e a economia real provavelmente não sentirá os benefícios de um câmbio mais competitivo até 2003".

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