Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a crise

Desde o anúncio da concordata do banco de investimentos Lehman Brothers, no dia 15 de setembro, e o conseqüente agravamento da crise financeira, o Banco Central brasileiro já anunciou uma série de medidas para conter os possíveis efeitos da turbulência por aqui. Com elas, a autoridade monetária pretende combater, por exemplo, a escassez de recursos internacionais provocada pelo congelamento do crédito e a alta exagerada do dólar, cuja cotação bateu R$ 2,31 nesta terça-feira, 7, em decorrência da grande procura dos investidores pela moeda - considerada um ativo seguro em meio à crise.   Veja abaixo as medidas já anunciadas pelo BC:   19 de setembro BC anuncia os primeiros leilões de dólares desde 2003, após cotação do dólar bater o pico de R$ 1,962. No total, foram leiloados US$ 500 milhões. Em nota, a instituição afirmou que a decisão de retomar os leilões de venda de dólares era "de caráter temporário". A nota dizia, ainda, que os leilões não tinham o objetivo de influenciar a taxa de câmbio. A instituição reforçou a explicação dada em Nova York pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, de que "não existe meta para a taxa cambial, seja com fixação de tetos ou pisos".   24 de setembro Diante do quadro de restrição de recursos externos, em função da crise nos Estados Unidos, o Banco Central anunciou duas medidas para aumentar a liquidez no sistema financeiro nacional - volume de dinheiro em negociação. Com elas, o BC manterá R$ 13,2 bilhões no mercado. O objetivo do BC agora é aumentar os recursos em circulação. Portando, as duas medidas anunciadas reduzem o recolhimento de depósitos compulsórios. A primeira delas adia o cronograma de implementação de compulsórios sobre depósitos interfinanceiros de leasing. A segunda medida triplica de R$ 100 milhões para R$ 300 milhões o valor a ser deduzido pelas instituições financeiras sobre os depósitos a prazo, à vista e da poupança.   26 de setembro Banco Central voltou à ponta vendedora do mercado de câmbio à vista, com um leilão de venda de dólares conjugada com compra futura, mais uma vez com o intuito de prover liquidez aos negócios. O BC fixou taxas de venda de R$ 1,848 e de compra de R$ 1,883574 no leilão de linha, que terá liquidação da venda no dia 30 próximo e da compra em 19 de dezembro, ou seja, em 80 dias corridos. A autoridade monetária acatou seis propostas, num total de US$ 500 milhões.   29 de setembro Banco Central vendeu em leilão cerca de 25% ou 11.000 contratos de três vencimentos da oferta de 42.400 contratos de swap cambial reverso com quatro vencimentos. O valor financeiro da operação somou US$ 527 milhões, de um total de até US$ 2,02 bilhões ofertados. Na operação, o BC assumiu posição ativa em câmbio e passiva em taxa de juros no mercado futuro.   1º de outubro Em comunicado, a autoridade monetária anunciou que bancos que adquirirem carteiras de crédito de outras instituições terão redução do depósito compulsório. A medida pode liberar até R$ 23,5 bilhões para o mercado. Essa foi a segunda decisão para tentar dar mais liquidez ao mercado financeiro em menos de 10 dias. Em 24 de setembro, o BC mudou regras do mesmo depósito compulsório e liberou R$ 13,2 bilhões aos bancos. A medida deve beneficiar principalmente pequenos e médios bancos, que têm enfrentado graves problemas para captar recursos no mercado.   6 de outubro  BC vende em leilão 29,5 mil contratos de swap cambial, de uma oferta de 41,6 mil contratos. O volume equivale a um valor financeiro de US$ 1,470 bilhão e a venda de cerca de 71% da oferta de cerca de US$ 2,080 bilhões desses contratos. Nessa operação, o Banco Central assume posição vendedora em câmbio e compradora em juros. Os contratos têm data de início na próxima quarta-feira, dia 8 de outubro.   Na prática, com este leilão, o BC antecipa a entrega do dólar que faria no dia 3 de novembro ao não rolar o swap cambial reverso e evita um novo leilão de venda no mercado à vista.    BC decide comprar títulos de bancos no exterior. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, anunciou que o governo vai oferecer uma linha adicional, em dólar, no exterior com o uso das reservas internacionais. O objetivo é oferecer crédito para o comércio exterior.   Segundo explicou Meirelles, o BC vai comprar títulos que serão vendidos pelos bancos no exterior, com um contrato de recompra. O presidente do BC disse que só serão títulos de primeira qualidade, entre eles, títulos da República Federativa do Brasil. Os títulos que serão recebidos nas operações serão definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e depois, com contrato de recompra, serão devolvidos aos bancos.    Mantega afirma que o governo vai reforçar em R$ 5 bilhões as linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de financiamento de pré-embarque de mercadorias de comércio exterior. Segundo o ministro, entre hoje e amanhã, a diretoria do BNDES vai aprovar o reforço na linha de pré-embarque. Esse dinheiro virá de recursos que foram transferidos do Tesouro Nacional, a título de capitalização, para o BNDES, no valor de R$ 15 bilhões.    O governo edita uma Medida Provisória (MP) dando mais poderes ao Banco Central para combater os efeitos da crise no Brasil, no dia em que o nervosismo tomou conta do mercado financeiro a ponto de os empréstimos ficarem paralisados. A principal medida é a autorização para que o Banco Central compre carteiras de crédito de instituições financeiras em dificuldades, por meio de uma linha de empréstimo já existente chamada redesconto.   Além disso, o Banco Central foi autorizado a conceder empréstimos em moeda estrangeira. Finalmente, as empresas de arrendamento mercantil foram autorizadas a emitir letras. Atualmente, elas se financiam com debêntures, um papel de operação mais complexa.

Da Redação,

07 Outubro 2008 | 17h59

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