Conflito com Nogueira Batista derruba Melin, da Fazenda

Secretário de Assuntos Internacionais será substituído em janeiro

Fabio Graner e Renata Veríssimo, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2007 | 00h00

O conflito com o representante do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI), Paulo Nogueira Batista Júnior, provocou a queda do secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Luiz Eduardo Melin. Fontes do Ministério da Fazenda informaram que o ministro Guido Mantega, insatisfeito com os atritos entre os dois sobre a velocidade da reforma no sistema de representação dos países emergentes no FMI, decidiu retirar Melin da Secretaria de Assuntos Internacionais (Sain) e levá-lo para a chefia de gabinete do ministério. Marcos Galvão, atual chefe de gabinete de Mantega, ocupará o cargo de Melin.O Ministério da Fazenda não confirma oficialmente a dança das cadeiras na pasta, mas a troca de funções deve ocorrer já em janeiro. A divergência entre Melin e Nogueira Batista sobre as mudanças no sistema de cotas dos países foi noticiada pelo Estado na edição de terça-feira.A reportagem informa que o representante brasileiro no Fundo estaria causando rusgas no organismo multilateral pelo seu estilo "abrasivo" e, por causa das divergências, não falaria mais com Melin. Mantega indicou Batista para o posto em fevereiro deste ano, e o economista assumiu em maio, sucedendo Eduardo Loyo. A indicação criou controvérsia, porque ele sempre foi um dos maiores críticos do FMI. Pela decisão, o sinal é de que Mantega se alinha com a posição de Nogueira Batista e quer uma reforma mais rápida no FMI. Apesar das críticas ao estilo do representante brasileiro no FMI, Melin também não se mostra dono de grande serenidade. No trato com a imprensa, não se mostra cordial e em seu período de pouco mais de um ano à frente da Sain concedeu raras entrevistas, mostrando-se mais refratário aos jornais do que o seu antecessor Luiz Pereira. Melin, que veio com Mantega do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), teve atuação mais significativa nas negociações para a criação do Banco do Sul, projeto que ainda está em fase de implementação em parceria com diversos países da América do Sul. Além desse tema, não deixa maiores legados no período à frente da secretaria. O seu sucessor na Sain, o discreto embaixador Marcos Galvão, de 48 anos, é um dos poucos remanescentes da era Antônio Palocci no Ministério da Fazenda.

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