JOSE MARIA TOMAZELA/AE
JOSE MARIA TOMAZELA/AE

Conflito entre EUA e China pode favorecer exportador brasileiro de carne suína

Disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo, segundo representante de produtor de proteína suína nacional, pode abrir brecha para produto brasileiro

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

23 Março 2018 | 15h41

A disputa comercial entre os Estados Unidos e a China pode acabar favorecendo a demanda pela carne suína brasileira, caso os asiáticos de fato sobretaxem o produto americano. 

+ China confirma lista de produtos americanos a serem tarifados

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, aponta que o país asiático assumiu em fevereiro a liderança entre os maiores compradores de carne suína brasileira, importando 11.959 toneladas no mês (o equivalente a 28,4% do total embarcado). 

"O Brasil sempre manifestou seu interesse em fortalecer as parcerias pela segurança alimentar na China. Vemos que, a partir deste novo cenário, esta parceria pode ser significativamente ampliada, reduzindo os impactos do embargo russo", disse Turra, em nota. 

+ EUA confirmam que, por enquanto, Brasil fica de fora de sobretaxa do aço

Em dezembro do ano passado, a Rússia - até então a principal compradora da proteína suína brasileira -, suspendeu as compras da carne.

+ Taxação de aço importado foi rejeitada por demais setores da economia

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) estima que o consumo chinês de carne de porco deve crescer 0,7% em 2018, para 55,5 milhões de toneladas. As importações totais dos asiáticos no período devem totalizar 1,6 milhão de toneladas, segundo o USDA.

+ Para Ministério, gesto dos EUA sobre aço pode ser sinal positivo para evitar sobretaxa

O Conselho Nacional de Produtores de Carne Suína dos EUA (NPPC, na sigla em inglês) afirma que, no ano passado, o país vendeu US$ 1 bilhão para os chineses, tornando-se o terceiro principal destino externo do setor.

"As possíveis tarifas chinesas sobre a carne suína americana poderiam ter um impacto negativo significativo no agronegócio do país", disse o presidente da NPPC, Jim Heimerl, em nota divulgada nesta sexta-feira, 23. 

"Vendemos muita carne suína para a China, portanto tarifas mais altas sobre nossas exportações vão prejudicar nossos produtores e minar a economia rural", disse Jim Heimerl. 

Segundo a Federação dos Exportadores de Carne dos Estados Unidos (U.S Meat, na sigla em inglês), os chineses (incluindo compras via Hong Kong) compraram do país em 2017, 495 mil toneladas de proteína suína, cerca de 20% do total exportado pela nação.

Também em nota, o dirigente do Instituto Norte-Americano da Carne, Barry Carpenter, elogiou os esforços do governo americano para "promover um comércio mais justo, aberto e transparente com a China", mas disse estar preocupado que as tarifas sobre as importações chinesas servirão apenas para prejudicar o acesso do país ao mercado chinês e a "escalada de risco de uma guerra comercial". 

Carpenter lembra que a China, em 2017, foi o segundo maior mercado de exportação agrícola dos EUA, terceiro maior de carne suína e o quarto maior de carne bovina em valor. 

"Está claro que o crescimento futuro da economia agrícola dos Estados Unidos e do setor de carnes e aves depende de uma relação comercial robusta com a China", afirma.

Guerra comercial. No mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um memorando impondo barreiras em produtos chineses, o Ministério do Comércio da China retaliou a medida dizendo que também irá adotar tarifas sobre as importações dos EUA, com impacto estimado em US$ 3 bilhões.

Entre os produtos americanos que podem ser tarifados por Pequim estão carne de porco e alumínio reciclado. O governo chinês propôs um acordo para encerrar a disputa "o mais rápido possível", mas não deu prazo final. 

O Ministério do Comércio ainda disse que a ação de Trump é uma violação dos princípios do comércio global, pedindo cautela por parte de Washington e dizendo-se preparado para defender seus interesses.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.