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Conflitos provocaram descolamento no preço dos barris

Os conflitos no Norte da África provocaram o maior descolamento de preços na história dos dois tipos de petróleo mais negociados no mundo: o WTI e o Brent. Usadas como base de referência, respectivamente, para o mercado americano e o europeu, as duas cotações sempre mantiveram diferença entre si de US$ 1 a US$ 3 o barril. Agora, a disparidade ultrapassa a casa dos US$ 10.

Kelly Lima, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2011 | 00h00

A principal explicação é a proximidade da região de conflito com o mercado em que o Brent é negociado. Além disso, os Estados Unidos estariam com estoques mais elevados por conta de uma queda no consumo interno. Por isso, o WTI estaria apenas sofrendo os "respingos" da crise atual.

Afora o direcionamento distinto de mercado, os dois tipos de óleo diferem muito pouco em características, como o porcentual de enxofre e outros elementos químicos. Ambos são considerados óleos "leves", com valor comercial mais elevado.

O padrão do West Texas Intermediate (WTI), negociado desde 1983, possui 39,6 graus API (escala idealizada pelo American Petroleum Institute para medir a densidade dos líquidos: quanto maior a gradação, melhor a qualidade do óleo). Já o Brent, negociado desde 1998, tem 38 graus API.

Normalmente, o petróleo WTI é um pouco mais caro do que o Brent, refletindo exatamente esta qualidade mais elevada, que provém do menor custo para refino e transporte.

Os contratos futuros do WTI contam com o maior nível de liquidez e contratação de todos os petróleos mundiais (há muitos outros, além dos dois tipos de referência mundial de preço). Embora a produção real do WTI corresponda a apenas 0,4% da extração mundial, cerca de 150 milhões de barris são negociados diariamente na bolsa de Nova York, quase o dobro do consumo de petróleo mundial.

Já o óleo do tipo Brent foi batizado assim porque era extraído de uma plataforma de produção da Shell de mesmo nome. Atualmente, a palavra Brent designa todo o petróleo extraído no Mar do Norte e comercializado na Bolsa de Londres . Além do mercado europeu, a cotação Brent também serve de referência para o mercado asiático.

No Brasil, o Brent serve para cálculo dos royalties sobre a produção de petróleo, o que deve fazer com que a alta atual tenha impacto direto na arrecadação de Estados e municípios nos próximos meses. A Petrobrás usa o Brent como base para a negociação com o mercado internacional, mas apenas faz referência a ele para calcular a defasagem do seu padrão de óleo, do tipo Marlim, mais pesado e tradicionalmente até US$ 10 mais barato.

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