Confrontos deixam vários feridos em panelaços na Argentina

Manifestações contra o governo e a favor dos agricultores aconteceram nos principais bairros de Buenos Aires

Marina Guimarães, da Agência Estado,

27 de março de 2008 | 10h02

Pela segunda noite consecutiva milhares de argentinos bateram panelas na região da Praça de Maio, no centro de Buenos Aires, e houve confrontos com os chamados "piqueteiros kirchneristas" - desempregados subvencionados pelo governo de Cristina Kirchner. Várias pessoas ficaram feridas após os embates. Panelaços e buzinaços contra o governo e de apoio aos produtores rurais aconteceram nos principais bairros de Buenos Aires e em diversos pontos do país. Veja também:Agricultores pressionam Cristina No 15º dia de locaute ruralista (greve patronal), o impasse continua e o desabastecimento se intensifica. O governo ignora as mensagens populares e se mantém inflexível. Para enfrentar os piquetes no interior do país, onde cerca de 400 rodovias e estradas estão bloqueadas por produtores rurais, o governo enviou a tropa de choque do sindicato dos caminhoneiros na última segunda-feira. Já para tentar diluir o movimento espontâneo dos moradores da cidade em apoio ao campo, os "piqueteiros K" foram os encarregados da tarefa. Os piqueteiros conseguiram expulsar os manifestantes da praça, mas a promessa da classe média portenha é de voltar todas as noites até que o governo a ouça. A missão dos piqueteiros foi desocupar a Praça de Maio e evitar que o protesto com panelaços e buzinaços, que começou por volta das 20 horas, aumentasse e se prolongasse. Na Casa Rosada, sede do governo federal, os ministros minimizaram o primeiro panelaço, da noite de terça-feira, e negaram que tenha sido um grande movimento. Até esta manhã, nenhuma autoridade se manifestou sobre o segundo panelaço, que também aconteceu em La Plata, Paraná, Salta, Tucumán, Santa Fe, Córdoba e outras cidades. A revolta dos produtores rurais argentinos e a reação popular da terça-feira à noite, após o duro discurso de Cristina Kirchner contra o setor agropecuário, geraram um clima de tensão no país e rejeição ao governo em apenas 100 dias de mandato presidencial. Porém, a Casa Rosada não emite nenhum sinal de flexibilidade e de abertura ao diálogo com o campo. Ato Pelo contrário, para apoiar a posição da presidente, os kirchneristas farão nesta quinta, às 18 horas, um grande ato público. A presidente Cristina e seu marido, Néstor Kirchner, vão presidir a solenidade organizada pelo ex-presidente. Cristina vai falar, mas até o momento não há confirmação se Néstor também discursará. Há grande expectativa sobre o conteúdo do discurso do casal presidencial. Todos, principalmente os homens do campo, querem saber se será apaziguador ou se repetirá a mensagem inflamável do último discurso da presidente, que botou mais lenha na fogueira.

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