Congresso americano discute a extensão do ´fast track´

Grupos a favor e contra a extensão do "fast track" discutiram na quarta-feira, 28, na Câmara de Representantes dos Estados Unidos, o futuro da lei, com vencimento previsto para junho."Fast track" é o nome dado a autorização concedida ao presidente dos EUA, George W. Bush, para fazer acordos comerciais sem a interferência do Congresso.Os dois grupos foram a uma audiência da subcomissão de Comércio da Câmara Baixa, que refletiu também as diferenças entre democratas e republicanos sobre os objetivos e conquistas da política comercial dos Estados Unidos.O local da audiência foi um dos edifícios do Congresso. A poucas quadras dali, o presidente George W. Bush pedia aos legisladores a aprovação dos tratados comerciais assinados com o Peru, Colômbia e Panamá, que estão pendentes de ratificação.Mas muitos democratas, apoiados pelo movimento sindical dos EUA e pressionados por grupos cívicos, são contra a idéia de ampliar a vigência do "fast track" e de aprovar os acordos comerciais. Eles querem incluir modificações significativas sobre direitos trabalhistas e proteção ambiental.NaftaA implementação do Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), causando o fechamento de dezenas de milhares de postos de trabalho em todo o país, deixou um sabor amargo na boca de muitos congressistas. Citando gráficos e estatísticas, eles apontam os danos do pacto com México e Canadá.O déficit comercial dos EUA, argumentam, foi de US$ 764 bilhões em 2006; o déficit com os parceiros do Nafta foi de US$ 137 bilhões; e houve uma perda de quase 3 milhões de empregos no setor industrial nos últimos 12 anos.Mas a ex-representante de Comércio Exterior dos EUA Carla Hills recomendou ao Congresso que aprove a Lei de Promoção Comercial (TPA), ou "fast track", que permite ao governo negociar pactos comerciais. Ela insistiu que o livre-comércio é o antídoto contra a pobreza na região."Devemos manter a abertura dos mercados, aproveitar a riqueza que ela gera e utilizar parte dessa riqueza para atender às preocupações" sobre os empregos nos Estados Unidos, afirmou Hills, negociadora do Nafta."A política comercial não cura doenças, mas gera desenvolvimento econômico. O que os países e governos fazem com a riqueza que geram é outro assunto", acrescentou."Tremendo caos"O comentarista conservador Lou Dobbs criticou duramente a política comercial dos EUA nos últimos 30 anos. Para ele, a única conquista foi "um tremendo caos".Por isso, o Congresso dos EUA deve agir pelo bem-estar dos trabalhadores americanos, que sofrem a perda de empregos por culpa da mão-de-obra barata no exterior, opinou.Líderes sindicais reafirmaram suas queixas de que a política comercial dos EUA tem causado enormes prejuízos às classe média e trabalhadora do país.A política "falhou em quase todas suas dimensões" porque "não criou bons empregos e comunidades saudáveis nos EUA, nem promoveu um desenvolvimento sustentado, eqüitativo e democrático no exterior", disse Thea Mei Lee, da AFL-CIO, a maior federação sindical do país.

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