Congresso discute inovação e pesquisa na economia globalizada

O 16º Congresso Internacional das Instituições de Pesquisa Tecnológica ? Biennial Congress Waitro, terminou nesta quarta-feira em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, com um documento enviado ao governo brasileiro em que pede atenção à necessidade de investimentos consistentes e regulares em ciência e tecnologia. O evento, que reuniu mais de 500 participantes de 34 países, discutiu o papel da inovação na inserção no mercado e na competitividade e como os institutos de pesquisa podem atuar para melhorar isso. Esta é a primeira vez que o Brasil sedia o encontro. O documento, intitulado "Carta Aberta ao Governo Brasileiro", é assinado pelos principais representantes do parque tecnológico industrial do País, a Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica (Abipti), Associação Nacional das Entidade s Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas (Anprotec), e a Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei). A carta é divulgada em um momento crítico para a ciência e tecnologia brasileira. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), principal entidade financiadora das pesquisas no Brasil, sofreu um corte de 45% em seu orçamento, o que paralisou as atividades de diversos grupos de pesquisa. O CNPq é vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), uma das pastas mais afetadas pelo contingenciamento promovido pelo governo federal este ano. "É com grande preocupação que vemos os contingenciamentos e limites impostos, tanto às dotações orçamentárias quanto aos novos mecanismos de financiamento. Estes fatos levam à descontinuidade dos programas voltados para a inovação, atrasando, ou até abortando resultados de relevância econômica e social", ressaltou o documento. Na carta, são reconhecidos os esforços do MCT para ampliar os investimentos e mecanismos de financiamento à pesquisa, desenvolvimento e inovação, como a inclusão desse último item na agenda nacional e a criação dos fundos setoriais, em que verbas arrecadadas de atividades de diversos setores vão para um fundo, cuja verba será aplicada em projetos conjuntos entre instituições públicas de pesquisa e empresas. No entanto, o recente contingenciamento compromete "os recentes progressos na parceria entre instituições de pesquisa e empresas, que vinham sendo estimulados pelas políticas públicas no âmbito da Ciência e Tecnologia", destacou o documento. As entidades que o assinam dizem que entendem as dificuldades momentâneas pelas quais passa o governo federal, mas explica que é urgente se fazer o restabelecimento do fluxo de recursos para o tema. O documento cita o CNPq e também a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão do MCT que financia as pesquisas feitas pelo setor privado em parceria com universidades, institutos e centros de pesquisa. Assinam a carta a presidente da Abipti, Ângela Cohen Uller, o presidente da Anprotec, Luiz Afonso Bermúdez, e o presidente da Anpei, Américo Martins Craveiro. No congresso, foram ainda abordadas a falta de acesso às novas tecnologias que afeta as micro, pequenas e médias empresas, o que gera uma defasagem em inovação e dificuldade de enfrentar os desafios gerados pela globalização. Mais de 80 trabalhos foram apresentados, gerando um intercâmbio entre o países. Encontrar um equilíbrio entre a sociedade e seus pesquisadores, vencendo barreiras culturais internas e externas, foi outro ponto comum das discussões geradas no evento.

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