Congresso dos EUA quer medidas contra China

Geithner tenta convencer parlamentares que governo Obama está pressionando China por sua política cambial

, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 00h00

WASHINGTON

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, tentou convencer ontem um grupo de parlamentares que o governo americano está endurecendo sua posição em relação às políticas cambiais e comerciais da China, enquanto Pequim alertava que a pressão de Washington pode ser contraproducente.

Nas declarações mais fortes feitas até agora, Geithner disse em uma audiência no Senado que o yuan estava se valorizando num ritmo demasiadamente lento e que o governo do presidente Barack Obama estava buscando formas de fazer com que Pequim acelere esse processo.

Os parlamentares que cogitam a elaboração de uma nova lei para castigar a China por suas práticas cambiais que, segundo eles, estão mantendo o yuan artificialmente desvalorizado, interrogaram Geithner intensamente sobre os motivos que teriam evitado a qualificação formal da China como um país "manipulador cambial" e pediram medidas concretas do governo Obama.

Diplomacia. Apesar da aparente firmeza, o secretário americano do Tesouro claramente tentou ganhar tempo para os esforços diplomáticos dos Estados Unidos com a China, dizendo que Washington aproveitaria o encontro do G-20, em Seul, em novembro, para conseguir apoio dos outros países por uma reforma cambial na China.

As declarações de Geithner para a Comissão de Bancos do Senado podem ter sido fundamentais para determinar se os parlamentares - que consideram que as práticas chinesas eliminam empregos e afetam as empresas americanas - levam adiante a lei que estudam para castigar o gigante asiático, antes das eleições legislativas de novembro.

"Compartilho de sua frustração", disse Geithner na primeira de duas audiências no Capitólio, mas amenizou o tom dizendo não acreditar que o tipo de câmbio chinês implica em riscos sistêmicos para a economia americana. Geithner não esclareceu que medidas o governo Obama estava estudando para fazer com que a China atuasse mais fortemente na valorização do yuan.

Poucas horas antes do depoimento de Geithner, o governo chinês advertiu que as pressões externas sobre Pequim para uma valorização do yuan não resolvem o problema. "Exercer pressões não pode resolver os problemas. Isso provoca o contrário", declarou à imprensa a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Jiang Yu. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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