Congresso dos EUA resiste a aumentar o poder do Fed

Geithner esteve no Congresso para pedir urgência na avaliação da nova regulação do sistema financeiro

Agências internacionais, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

A ideia de inflar o poder do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e transformá-lo num supervisor gigante do sistema financeiro dos Estados Unidos esbarrou ontem no ceticismo dos congressistas. Pilar do plano de modernização de regras do setor financeiro, a proposta foi defendida pelo secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, no Comitê de Bancos do Senado, ontem, um dia depois de ter sido apresentada pelo presidente Barack Obama."Não acredito que nós podemos razoavelmente esperar que o Fed ou qualquer outra agência possa desempenhar tantos papéis", disse o senador republicano Richard Shelby. Pelo plano de Obama, o Fed ganhará superpoderes para vigiar todas as instituições financeiras dos EUA e intervir, caso seja identificado risco sistêmico. Alguns legisladores propuseram que a supervisão seja distribuída entre conselhos regulatórios e não fique concentrada em uma só agência.Os congressistas ainda temem que a independência do Fed fique comprometida com a ampliação de suas responsabilidades. "De repente, o Fed está agindo mais como um departamento do governo do que como banco independente", disse o senador republicano David Vitter.O senador democrata Christopher Dodd, presidente do comitê, reconheceu que o planos de transformar o Fed em um "superpolicial" do setor financeiro preocupa. "Existe um debate saudável sobre permitir ou não que o Fed tenha esse papel", disse Dodd. Mas ele disse acreditar que o BC americano tem as condições necessárias para desempenhar novas funções. Dodd se comprometeu a avançar com as reformas até o fim do ano. Mas Geithner pediu urgência na aprovação. "Não podemos arcar com a falta de ação", disse, alegando que os esforços em crises passadas começaram a surtir efeito muito tarde. "É chegado o momento de realizar reformas essenciais, que enfrentam as causas centrais da crise atual, para impedir ou conter crises futuras." Geithner admite que será necessário rever os pontos de discordância. "Podemos ter divergências sobre os detalhes e vamos ter de abordar essas questões. Mas os americanos têm sofrido muito, a confiança no nosso sistema financeiro foi muito abalada, a nossa economia tem sido levada para muito perto do colapso para que deixemos passar este momento."No entanto, para o secretário do Tesouro, não há como se esquivar de um Fed mais poderoso. "Não acreditamos existir uma alternativa plausível", disse. Geithner rebateu críticas e negou que haja conflito de interesses entre as novas atribuições e o trabalho de estabelecer a política monetária do país e garantir o pleno emprego. "Não há conflito", disse. "Em todo o mundo, é confiado aos bancos centrais (...) um certo papel na estabilidade do sistema financeiro", alegou.O pacote regulatório também envolve a criação de uma agência de proteção dos consumidores de produtos financeiros e a ampliação do poder do Estado para assumir empresas financeiras à beira do colapso. O depoimento que Geithner faria aos deputados da Câmara dos Serviços Financeiros foi adiado.

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