Congresso faz acordo sobre gasto de Obama Fed age para os EUA, diz Dudley

Câmara autoriza gastos de até US$ 1 trilhão e prorroga benefícios a trabalhadores

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE/ WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2011 | 03h07

O Congresso dos Estados Unidos chegou a um acordo para evitar a paralisia do governo de Barack Obama a partir de hoje. A autorização para o governo gastar até US$ 1 trilhão neste e nos próximos meses foi aprovada ontem pela Câmara dos Deputados, assim como a prorrogação da redução da contribuição patronal e dos trabalhadores e do desembolso com o seguro-desemprego.

O aval do Senado, de maioria democrata, e a sanção presidencial eram esperados sem atropelos antes do prazo final de meia-noite.

A votação na Câmara, de maioria republicana, deu-se em clima de inusitada cordialidade, motivada pelo interesse dos parlamentares em melhorar sua imagem ainda negativa diante dos eleitores americanos. As medidas foram aprovadas por 296 votos a 121 nessa Casa e trouxeram alívio a dez áreas essenciais para o governo, entre as quais a Defesa e a Segurança Interna, ameaçadas de paralisar seus gastos.

O acordo final entre republicanos e democratas, fechado na noite de quinta-feira, envolveu parte das medidas do pacote de estímulo econômico enviado ao Congresso por Obama. Seu teor não foi exatamente o esperado pelo presidente. Mas permitiu, pelo menos, evitar o pior cenário e prorrogar o benefício fiscal para empresas e 160 milhões de trabalhadores.

Obama havia apelado insistentemente para o Congresso aprovar essa iniciativa antes de 31 de dezembro, quando perderia sua vigência, sob o risco de esses americanos terem seus desembolsos com tributos federais aumentados em até US$ 1.000 ao ano.

Dois meses. Entretanto, esse benefício e o seguro-desemprego não foram estendidos por mais um ano, como pretendia a Casa Branca, mas por apenas dois meses. O custo dessas medidas alcança US$ 120 bilhões. Até o fim de fevereiro, os congressistas deverão avaliar o real impacto desses benefícios na economia e a possibilidade de nova prorrogação.

Do ponto de vista da Casa Branca, manter essas medidas é essencial para diminuir a elevada taxa de desemprego, de 8,6%, e seus impactos sobre a economia.

Na barganha pela aprovação das medidas, os republicanos conseguiram anular a pressão da Casa Branca pela eliminação dos benefícios fiscais para os contribuintes com maior renda anual, vigente desde 2006.

Da mesma forma, obtiveram um sinal de boa vontade do governo Obama em rever sua suspensão da construção do polêmico oleoduto Keystone XL, cujo trajeto passa por um importante aquífero no centro-oeste do país, e reformar o seguro-desemprego.

O presidente do Federal Reserve de Nova York, William Dudley, disse que o programa anunciado pelos principais bancos centrais do mundo para fornecer dólares a bancos europeus é do interesse dos Estados Unidos, embora vise combater a crise da dívida na Europa. "Não se trata de ajudar a Europa, se trata de ajudar a nós mesmos." / REUTERS

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