Evaristo Sa/AFP
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Congresso propõe adiar reajuste do mínimo em 2016, dizem fontes

Objetivo seria melhorar o resultado das contas públicas no ano que vem; Planalto nega que medida esteja em estudo

Adriana Fernandes, Lorenna Rodrigues, Rachel Gamarski, O Estado de S. Paulo

24 de novembro de 2015 | 19h57

(Atualização às 20h50)

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, vê com "simpatia" a proposta de adiar de janeiro para maio o reajuste do salário mínimo para reforçar o superávit primário de 2016. Mas interlocutores do Palácio do Planalto garantem que não há nenhum estudo no governo para que a medida seja aprovada. Questionado, o ministro preferiu não responder.

Segundo apurou o Broadcast, serviço de informações da Agência Estado, a ideia partiu da área técnica da Comissão Mista de Orçamento (CMO) e foi apresentada aos ministérios da Fazenda e do Planejamento. 

"Não há estudo do governo. Não houve nenhuma conversa com a presidente Dilma sobre isso", afirmou uma fonte palaciana.

A proposta de adiar o reajuste do salário mínimo enfrenta forte oposição dentro do governo. A viabilidade política é considerada "desastrosa" por integrantes de alas políticas e também econômicas do governo. 

"É uma maluquice! Ninguém vai ter coragem de defender isso", afirmou uma fonte do governo que teve acesso ao estudo apresentado pelo Legislativo. 

Um fonte envolvida nas negociações com o Congresso Nacional se queixou que, com o apoio do ministro Levy, a proposta acabou ganhando força no Congresso, dada a dificuldade de fechar a projeto de Orçamento de 2016, já que há uma resistência dos parlamentares à volta da CPMF. 

Em novembro, reportagem do Broadcast informou que havia proposta no governo para uma adiamento ainda maior do reajuste dos servidores. Pela proposta original, o aumento seria adiado de janeiro para agosto de 2016, com ganho de R$ 7 bilhões. A proposta agora empurra para novembro o adiamento, mas a medida enfrenta resistências.

Divergências. Em uma ação de bastidores, Levy apoiou a proposta de adiamento do reajuste. Na ocasião, a medida foi apresentada ao ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, que assumiu posição contrária. A presidente Dilma Rousseff também não autorizou e deu o assunto por encerrado. 

Levy não se deu por satisfeito e continuou negociando, o que deixou o ministro do Planejamento extremamente insatisfeito e também outros setores do governo. Fontes afirmam que a presidente Dilma continua contrária à ideia.

Os problemas políticos que um adiamento neste sentido causa no governo pode colocar em risco o trabalho dos últimos meses do Palácio do Planalto para diminuir os atritos com o Congresso e melhorar a popularidade da presidente.

A dificuldade de fechar o Orçamento de 2016 tem feito com que a Fazenda apresente cada vez propostas mais impopulares, visto que a CPMF tem sofrido enorme resistência dentro do Parlamento./ COLABOROU IGOR GADELHA

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