FELIPE RAU/ESTADÃO
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Congresso tem de garantir mudança na economia, diz Raul Velloso

Segundo o economista, as medidas para equilibrar as contas públicas devem ser tomadas do lado da redução de despesas

Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 10h16

SÃO PAULO - Deputados e senadores têm de garantir apoio ao governo de Michel Temer na mesma intensidade que votaram pelo afastamento da presidente Dilma Rousseff do cargo. A avaliação é do professor e ex-secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento Raul Velloso.

Na opinião do economista, as medidas para equilibrar as contas públicas devem ser tomadas do lado da redução de despesas, que dependem de amplo apoio entre os parlamentares.

"Temer tem de apresentar rápido um programa de reformas para reduzir os gastos, cortar onde puder cortar. E o Congresso, que trabalhou pelo impeachment, vai ter de bancar esta mudança e correção da economia. Ele tem de cobrar do Congresso este andamento e não pode demorar a fazê-lo", afirmou.

Para Velloso, a área fiscal é onde "é mais visível a ferida do governo Dilma. "É preciso atacar esta questão de um jeito em que as expectativas voltem a se concentrar de maneira positiva. E pelo que tenho visto, principalmente da parte do Romero Jucá (provável Ministro do Planejamento), é que a questão fiscal é prioritária", disse.

O professor sugere ainda que a primeira medida da nova equipe econômica deve ser uma auditoria completa nas contas públicas. "Temos de tirar todo o esqueleto dos últimos anos do armário. Esta é uma forma de mostrar à sociedade o tamanho dos problemas. Se Temer não fizer isso, corre o risco de ser coautor deles", avaliou.

Sobre o apoio social às medidas fiscais, Velloso acredita que Temer pode ter uma lua-de-mel que dure até 100 dias. "Há uma grande mobilização política no sentido da mudança e Temer, por meio do impeachment, assume este papel. Ele é a grande bola da vez", disse. 

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