Congresso vota hoje propostas para dívida

Câmara e Senado precisam chegar a um texto comum para ser submetido ao aval do presidente Obama; prazo termina no dia 2 de agosto

Denise Chrispim Marin,

28 de julho de 2011 | 02h03

CORRESPONDENTE/ WASHINGTON

O Congresso dos Estados Unidos será palco hoje de um verdadeiro duelo em torno da elevação do teto da dívida pública do país, hoje em US$ 14,3 trilhões.

A Câmara dos Deputados, de maioria republicana, deve aprovar a proposta de seu presidente, John Boehner. O Senado, de maioria democrata, fará o mesmo com o projeto de seu líder, Harry Reid. O embate nas duas Casas medirá as forças de projetos muito similares entre si. O nó está em fazer com que Câmara e Senado cheguem a uma proposta comum que receba o aval do presidente Barack Obama, até o dia 2.

"Este é o projeto. Não posso fazer esse trabalho a não ser que vocês me apoiem", declarou Boehner, ao enfrentar os rebeldes de seu partido.

"Só há um projeto no Congresso que pode se tornar um verdadeiro compromisso", defendeu o senador Reid, ao referir-se a seu texto.

Nesse jogo, a proposta de Boehner tem a clara desvantagem do veto de Obama, já antecipado. A Casa Branca, entretanto, espera ver o projeto morto antes mesmo de chegar ao Senado.

De acordo com avaliação do Escritório de Orçamento do Congresso, uma entidade bicameral, ambas as propostas permitem um corte real de apenas US$ 850 bilhões nos gastos públicos nos próximos dez anos. O esforço fiscal nos dois projetos ficará bem abaixo dos US$ 3,5 trilhões a US$ 4,0 trilhões necessários para evitar a redução da classificação de risco da dívida dos Estados Unidos.

Tópico eleitotal. A maior divergência continua no valor do aumento do teto da dívida - um tópico eleitoral. A proposta de Boehner prevê a adição de menos de US$ 1 trilhão e levaria o governo Obama a negociar com o Congresso um novo aumento desse teto no final deste ano.

O projeto de Reid eleva em US$ 2,4 trilhões esse limite e evitaria um novo debate ao longo de toda a corrida presidencial de 2012, na qual Obama é candidato à reeleição.

Ontem, o presidente americano continuou a buscar apoio para a proposta de Reid e a conversar, discretamente, com líderes do Congresso. Apesar da alta tendência de diminuição da nota da dívida americana, a Casa Branca mostrava-se mais preocupada em apagar o incêndio original - o risco de suspensão de pagamentos federais.

"Estamos a um passo do prazo final (2 de agosto). Essa é uma questão muito séria e terá consequências terríveis", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. "Não há dinheiro extra nem saída com rampa. Há um prazo claro e inflexível."

Com o prazo estreito demais para uma solução razoável, um grupo de deputados democratas apelou para Obama valer-se da 14.ª Emenda da Constituição para declarar a inconstitucionalidade do teto da dívida e fixar um novo valor.

A emenda diz que a "validade da dívida pública dos EUA (?) não pode ser questionada. O uso desse instrumento foi defendido pelo ex-presidente Bill Clinton - um ex-professor de Direito, como Obama. A Casa Branca, entretanto, não pretende seguir essa via. "A responsabilidade é do Congresso. O problema, agora, é o duro prazo final", afirmou Carney.

Mercado. O mercado acionário americano teve ontem seu pior desempenho em oito semanas entre outras coisas pela falta de uma solução para o impasse da dívida dos EUA. O Índice Dow Jones recuou 1,59%; o Standard & Poor"s 500, que engloba as principais empresas do´país, cedeu 2,03%; e o índice das empresas de tecnologia Nasdaq teve desvalorização de 2,65%.

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